segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Tô tentando encontrar as palavras


Eu queria conseguir escrever o que guardo dentro de mim, o que realmente anda me sufocando ultimamente, mas não sei como, não consigo encontrar palavras. Talvez, elas não existam, talvez estejam em um vocabulário perdido dentro de mim. Ultimamente ando tentando entender a utilidade da vida, o que é um tanto fora de órbita, pois a vida é um enigma quase indecifrável. Mas acredito que irei desvendá-la um dia, mesmo tendo uma quase certeza, de que será no dia de minha morte.
Às vezes não consigo entender o porquê de tantas coisas. Não consigo entender o verdadeiro sentido de “estar”. O que parece para você “estar”? Para mim, é uma presença mais que física, é mais que estar dentro, muito mais que estar simplesmente, presente. Esse “estar” para mim, vai além da presença, é pensamento também.
Muitas coisas nessa vida apenas “parecem”, parecem ser um sonho, mas em realidade não são. Parecem ser eternos, mas a eternidade não pode ser medida. Parecem ser amor concreto, para além da alma, mas não são. Parecem fazer-se presentes, mas a presença é quase sempre pela metade. Coisas que até parecem dizer eu te amo, mas em realidade não sabem entender o poder dessas três palavrinhas juntas. Parecem dizer que sim, mas queriam mesmo era manter um talvez.
Tem outras pessoas que dizem que querem “ficar”, mas estão sempre longe. Dizem que ficam, mas nunca estão ou eles podem até ficar, mas ficam com seus pensamentos, seus desejos, seus amores, seus prazeres, que não correspondem a você. E ao final é apenas você que sabe FICAR. É só você que fica. É só você que guarda... guarda todas as palavras carinhosamente ditas. Todas as músicas, desafinadamente cantadas, mas que mesmo assim, não deixam de ser especiais. Aí, é uma história de você consigo mesmo.
Neste dia, eu talvez esteja começando a entender que se você sempre fica...o outro sempre se vai....Se você é sim...Ele sempre será talvez.... Se você guarda... Ele esquece onde poderia ter-te deixado. Se você sempre está... O outro estará sempre seguro demais e se esquecerá que também faz parte do todo...do conjunto....E você virará sempre metade. Metade de um todo que nunca foi inteiro.

por Brenda Oliveira.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

“Ainda é cedo amor...” ou tarde demais


É estranho crer que quando se ama, quando muito se amou, a dor vem recheada de traições e mentiras, que ao longo foram sendo descobertas e mesmo assim, o amor, burro como sempre, tentou curar o incurável. Mas são nestas tentativas inconsequentes, que o amor se foi, matando, definhando, foi-se pondo, como o sol ao entardecer.
No amor tudo é instante, é fugaz, mas também é intenso, voraz, capaz de perpetuar-se pela eternidade, mas que por qualquer descuido, perde-se no erro, afoga-se no desespero e esquece como se dá o perdão. Esqueceu-se então que ele é frágil e que por qualquer machucado, não consegue apagar a cicatriz, apenas derramar-se no vermelho lago que ele fez questão de encher com as dores desse amor, que foi tão intenso, tão...
“Preste atenção querida, de cada amor tu herdarás só o cinismo, quando notares estás à beira de um abismo, abismo que cavastes com teus pés”, já dizia Cartola, sobre quem busca o erro, sobre quem não tem medo de perder e de não obter o perdão, sobre quem amou pouco, porém amou-se muito e não enxergou que o outro deveria estar sendo refletido naquele mesmo espelho visto todos os dias, antes que foras atrás da tua fraqueza, do teu ego, do teu desamor, daquela que seria a tua maior vergonha.
“Ouça-me bem amor”, nem tudo que reluz é ouro. Nem tudo que eu escrevo é certo, nem as interpretações que faço são verdades absolutas. Talvez Cartola tenha escrito essa música pra quem sofreu e não pra quem fez sofrer, porém de ambos os lados, a dor é real, a satisfação é inexistente e a tentativa pertence apenas a um, pois o outro cansou-se de lutar, preferiu baixar a guarda e deixar a vida levar.

por Brenda Oliveira.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Amor é o caralho...


...me perdoem a falta de modos. Me perdoem parecer tão chateada, mas a verdade é que mais uma vez sinto pena e me sinto aliviada também... eu já estava começando a me sufocar, claro que não foi um alívio fácil, não foi um fim “legal”, “de boa”, foi um fim por umas atitudes escrotas, por parte de um homem que se acha muito “poderoso”, mesmo sem ter nada e sem ser alguém na vida.
 Sabem de uma coisa?...eu sempre odiei que me dissessem (me referindo a namorados) “Eu te amo” e que, o que é pior, tentassem “estimular” que eu também dissesse isso, mas quando isso acontece só prova que as palavras estão acima das atitudes e da lealdade que talvez tenha existido um dia, em uns outros relacionamentos, nunca nos meus.... (risos) e que deve ter se perdido no percurso que a humanidade vem trilhando. Eu acho que esqueci essa parte, e no meio do caminho me lembrei, mas já era meio tarde demais, a queda era garantida.
Pra vocês o que é transar? O que é fazer sexo? O que é trepar? O que é fuder mesmo? É muita coisa e nada se formos colocar essas expressões em contextos isolados... eita língua portuguesa difícil de levar pra cama, não é qualquer palavra que se encaixa no contexto do amar e ser amado. Pois bem, não será uma aventura e adrenalina de um sexo em uma pulada de cerca, que fará de você, o homem com o pau mais gostoso do mundo... Não fará de você o homem mais desejado, e tão pouco querido. Só fará de você um ser humano pior, vazio e sem ninguém que goste de você de verdade.
O que é uma traição? É apenas uma, duas ou várias tentativas frustradas de uma pessoa em tentar encontrar-se fora de si mesma, numa louca fuga de sua própria impotência, por não aguentar a própria pobre e podre existência.... então... minhas últimas palavras pra você é... Vai tomar no cu...você é um moleque.

#serfeliz
por Brenda Oliveira
uma nova mulher.


domingo, 28 de maio de 2017

Ninguém seria a melhor opção

Com a licença da minha gente, com o perdão da palavra, mas é tanta cagada nesse meu Brasil, que o que mais ressoa, grita e se flagela dentro de mim, é aquele mais lindo, porém duro apelo, cantado por todos nós ao declamar o nosso amor à Pátria através do nosso hino. Parece-me uma premonição perpétua do país que será assim pra sempre, será? “Paz no futuro e glória no passado”. Eita, ironia da peste, estou começando a achar que infelizmente as glórias serão sempre apenas lembranças enquanto sonhamos com uma paz que parece nunca chegar.
Percebo que estou escutando ultimamente muitas pessoas mandarem tantas outras pra #Fora... É tanto ser humano que cagou e se esqueceu de limpar a merda, que tô achando que não vai sobrar ninguém por aqui. É... Acho que voltaremos a ser a “Índia” perdida, só espero que na próxima encarnação não sejamos a principal opção de local para castigo dos ladrões, assassinos, estupradores que eram mandados pra esta terra encantada, porém desde o início, amaldiçoada... ops... Com o perdão da palavra.
Não consigo ver quem poderíamos convidar para entrar, em quem poderíamos confiar, tendo em vista a loucura em que nos encontramos, talvez estarmos loucos e mandarmos o mundo ir se lascar, seja a melhor opção...ou não...precisamos tentar continuar?, Precisamos fazer uma limpezinha nesse banheiro Nacional que só sabe cagar. Vai ver está faltando água lá também, né Ceará?! É tanta secura por dinheiro, que já não sei o que pensar sobre os discursos hipócritas, loucos pelo encontro com o poder, loucos para ver-nos sofrer e morrer de trabalhar, apenas observando a vida passar.
Viver? Peço perdão pela palavra, tô começando a acreditar que ela não pertence mais a nós os brasileiros, ditos mortais, ela já tem seus donos que foram vendidos para terem poder, comprados pela corrupção.  “Verás que um filho teu não foge à luta”? Hum.... Pareceu-me um tanto irônica essa frase. “Não sei”... “Não conheço”... “Nunca vi”. Onde estão estes teus filhos “Óh Pátria Amada”? Onde e quando foi rasgada a faixa e apagada a frase de “ordem e progresso” da nossa bandeira e com isso, infelizmente, esquecida na conduta de tantos? Acredito que precisamos também abrir outro inquérito para apurar essa situação.
Até agora... NINGUÉM é a melhor opção, mas até quando?


por Brenda Oliveira.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

E assim findou-se

Assim como o vento que ligeiramente atravessa as folhas e as possibilita a graciosidade do movimento e, logo em seguida se vai, posso então dizer que sim, se foi... Acabou... Terminou. A vida é cheia de recordações e momentos efêmeros que nos enchem de maturidade e luz. Assim, então correu como na mesma noite encantada do encontro, quando os Santos se juntaram e resolveram fazer um belo complô. Agora... Acabou.
No mesmo som das matracas e pandeirões, na mesma emoção dos bailados, a soltura se fez e as almas brilhantes, entoando cantos de amor, seguiram seus rumos distintos mesmo tão próximos do que achavam que era... Óh! Dulcíssimas almas que bailam e se vão a cada dia. O que sinto é alegria de vê-las ir e sorrir e cantar, sem dor, sem compromisso, sem nada que possa impedi-las de sonhar, nada que possa impedir que como uma cachoeira, ambas possam saciar a sede de toda a gente que encontrar.
É. A arte de sentir é mais complexa, por exemplo, que o ciclo do mar, pois mesmo gigantesco o sentimos sem dor. Ele é apenas um abraço sonoro, um beijo de ar e uma saudade/medo de ser engolido por tamanho amor. A vida não me deixa descansar, ela me faz gritar e mesmo na dor... Continuar, pois existem dias que serão apenas sofrimento e outros gemidos de prazer. Precisamos apenas ser. Vivendo em nossos mundos e escondidos de nós mesmos, para que o ladrão não nos roube e nos engane dizendo que era amor.
E se o mar não estiver mais tão calmo?! E se um rio ousar invadir a sua paz?! Acalme-se e perceberás que essa junção é maravilhosa e que ela nunca esgotaria a tua paz, pelo contrario, te permitiria flutuar e desfrutar de sua correnteza, te fazendo sentir um pouco do medo de perder-te no mesmo ponto em que se encontram. Águas aparentemente iguais, porém com tantas histórias distintas e sabores exóticos provados por aí. Doce e salgado. Calmaria e furacão. Somos tudo isso e nada. Somos a promessa do perfeito que não encontramos em nós, porém encontraremos a sós. Um dia. A sós... não?!. Perfeitas imperfeições.
Estranha, essa minha visão do Ser.

                                                                                      por Brenda Oliveira


quarta-feira, 15 de março de 2017

Uns dias que poderiam não ter existido

Tudo se iniciou após o carnaval, onde as almas presas correram atrás de almas livres e descontraídas que viviam por aí. Mentiras e mais mentiras. Uma confusão na minha cabeça. Acho que estou adoecendo, eu sei, estou definhando. Não imaginei que viver no mundo real era tão doloroso. Estava mal acostumada a ser amada demais. Nunca imaginei que ser feliz causava tanta inveja e que querer apenas receber sorrisos e abraços sinceros fosse coisa tão rara em tempos modernos.
Ah Chaplin! Acho que a modernidade afetou os corações transformando-os em máquinas de fingir amor, em máquinas que só sabem dar afetos sem fundo: a qualquer momento ele te deixa escapulir até doer. Essas máquinas mantêm repetições de palavras de carinho, mas a verdade é que nem sabem o que estão dizendo, já não há sentimento no que é categoricamente formulado e dito como uma verdade. Talvez o mundo esteja tentando sobreviver em vão. Talvez não haja saídas.
Hoje, ao acordar nessa indústria, me dou conta que não importa quem você é, pois o importante é o que você parece ser. O que os outros inventam se torna verdade e com isso o seu caráter fica sufocando no seu peito abafado por tantas invenções. É interessante perceber o tamanho e a logística imagética das pessoas. Olha... Eu peço que pare, caso a continuação seja chegar ao meu fim, por favor, pois o meu coração ainda é de carne, desculpem, é que me esqueço que essas almas perderam essa emocionante sensação de sentir algo.
Sinto-me em seus filmes Chaplin, filmes em preto e branco, mas tão coloridos pela tua alma livre e sincera cheia de arte. Percebo que sou a responsável pelas cores dos meus dias, mas também percebo que estão roubando as minhas tintas e com isso, me restam apenas as lembranças das cores das quais gostaria que em mim vivessem. É complicado ser tão sincera comigo. Neste caso, eu preferiria estar mentindo, mas a verdade aqui é a melhor opção.
Eu já falho em minha respiração...
Em uma noite, pensei que uma alma traria o meu balão de oxigênio e que todos os ladrões me devolveriam os arco-íris roubados, mas aí essa alma chegou tentando levar o que ainda restava, agora eu estou paralisada, me sentindo perdida dentro de mim, dentro da confusão que acabou confundindo a minha vida. Não. Sim. Talvez, mas eu sei que existe uma alma onde ainda pulsa um coração, mas ele está longe agora, enquanto eu estou tentando dizer, pra mim mesma, que sou forte e que posso ser a fortaleza desse alguém.
Caro Chaplin, isso dói muito. Peça-os que devolvam minhas cores e ativem você dentro das almas deles. Peça-os que se libertem e deixem de sufocar àqueles que só querem sonhar.
Escrevo, pois preciso que o tempo me ajude e que ele pare, pois eu preciso respirar.


Att Brenda Oliveira.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

SOTAQUES

Vivo numa linha tênue entre o prazer e a dor. Sou arte, matraca e pandeirão. Sou choro, lágrimas e emoção. A arte que me mantém de pé é a mesma que me tira a alegria de viver, é a mesma que me faz sufocar, é a mesma que me pede pra parar. E eu, teimosa que sou, insisto em vivê-la e em seus prazeres destrutivos para o meu pobre coração, me entregar.
Não sou a perfeição no bailado, mas sou carne viva de emoções em qualquer que seja o palco. Sou uma chama de esperança nessa vida que tanto me bate. Sou aquela que se mantem tímida, escondida, mas que muito ama e espera por aquele olhar que nunca chega a sua direção. Sou o adeus em silêncio, o abraço sem toque, o carinho pelo olhar por não querer precisar viver de bajulação. Eu sei o meu valor.
Mas talvez, meu terrível destino seja viver às sombras, caída no esquecimento.
Hoje, ao acordar, após uma luta imensa à procura de sonhos e do meu sono, eu despertei para uma realidade que eu não queria que existisse. Eu queria ser admiração, surpresa, mas sinto que sou apenas mais uma no meio de uma multidão de imperfeições. Imperfeições essas que são sempre tratadas como perfeitas, quitando de mim a crença de que sou capaz de viver na minha alegria.
Sozinha, eu fico refletindo sobre o mundo onde eu meti neste mundo que não aprende o meu nome, que me confunde e não enxerga a bela pintura que eu deixo nas ruas por onde passo. É, devem ser apenas passos que passam sem deixar rastros, sem promessas não cumpridas, mas com a alma cheia de promessas feitas a ela, que foram esquecidas pela boca doce que ousou pôr um pouco de esperança, na pobre criança que ainda vive em mim.
Enquanto isso, eu continuo dançando, na esperança daquele olhar em especial, daquela voz a me dizer os mais belos adjetivos e incentivos pra eu continuar a ser eu. Eu tenho orgulho de quem eu sou, mesmo que eu pareça uma tola por pensar assim. Mesmo que o afago sincero não chegue até mim. Mesmo que sua boca fuja da minha. Mesmo que seus dedos não se entrelacem nos meus. Mesmo que eu já não seja tratada com tanto mimo. Mesmo que eu...que eu...já não seja aquele sotaque efervescente das matracas em meio a tantos corações. Mesmo que a minha Ilha não seja mais tão infinita. Mesmo numa orquestra desafinada. Eu só queria ser meu próprio orgulho. Espero conseguir, um dia, alcançar a mim mesma.


por Brenda Oliveira.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

SER: estar, parecer, ficar

Hoje, eu queria conseguir escrever o que guardo dentro de mim, o que realmente anda me sufocando ultimamente, mas não sei como, não consigo encontrar palavras. Talvez, elas não existam, talvez estejam em um vocabulário perdido dentro de mim. Ultimamente ando tentando entender a utilidade da vida, o que é um tanto fora de órbita, pois a vida é um enigma quase indecifrável. Mas acredito que irei desvendá-la um dia, mesmo tendo uma quase certeza, de que será no dia de minha morte.
Às vezes não consigo entender o porquê de tantas coisas. Não consigo entender o verdadeiro sentido de “estar”. O que parece pra você “estar”? Pra mim, é uma presença mais que física, é mais que estar dentro, muito mais que estar, simplesmente, presente. Esse “estar” pra mim, vai além da presença, é pensamento também.
Muitas coisas nessa vida apenas “parecem”, parecem ser um sonho, mas em realidade não são. Parecem ser eternos, mas a eternidade não pode ser medida. Parecem ser amor concreto, para além da alma, mas não são. Parecem fazer-se presentes, mas a presença é quase sempre pela metade. Coisas que até parecem dizer EU TE AMO, mas em realidade não sabem entender o poder dessas três palavrinhas juntas. Parecem dizer que sim, mas queriam mesmo era manter um talvez.
Tem outras pessoas que dizem que querem “ficar”, mas estão sempre longe. Dizem que ficam, mas nunca estão ou eles podem até ficar, mas ficam com seus pensamentos, seus desejos, seus amores, seus prazeres, que não correspondem a você. E ao final é apenas você que sabe FICAR. É só você que fica. É só você que guarda... guarda todas as palavras carinhosamente ditas. Todas as músicas, desafinadamente cantadas, mas que mesmo assim, não deixam de ser especiais. Aí, é uma história de você consigo mesmo.
Neste dia, eu talvez esteja começando a entender que se você sempre fica...o outro sempre se vai....Se você é sim...Ele sempre será talvez.... Se você guarda... Ele esquece onde poderia ter-te deixado. Se você sempre está... O outro estará sempre seguro demais e se esquecerá que também faz parte do todo...do conjunto....E você vira sempre metade. Metade de um todo que nunca foi inteiro.


por Brenda Oliveira.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Acordei me desculpando

Hoje acordei com as vozes dos meus pais conversando e gargalhando no quintal e pensei: “que privilégio meu Deus”. Privilégio por tê-los pertinho de mim, mesmo sabendo que em algumas poucas horas eles iriam viajar e eu por alguns poucos dias ou até mesmo horas, ficaria sozinha, o que não é tão doloroso pra mim.
Ah...e eu também, depois de algumas horas abri meu instagram e vendo algumas fotos senti vontade de pedir desculpas pra mim, ou para os meus amigos, ou para o meu namorado, ou até mesmo para o mundo inteiro, tentando justificar o porquê de eu não ser o tipo de mulher super sexy que encontro por lá. Eu não sou assim, DESCULPA. DESCULPA por não andar tão maquiada, acho que a não maquiagem faz com que eu me sinta livre, pode até parecer loucura, por isso peço DESCULPAS.
DESCULPA se sou meio “torta”, se são as pequenas coisas que me fazem feliz... Se é um “bom dia, fique com Deus” ou um “boa noite, durma bem” que faz com que eu me sinta uma pessoa amada e cheia de carinhosos seres ao meu redor, DESCULPA. DESCULPA se meu conceito de atenção é outro. DESCULPA se sou uma mulher a moda antiga. DESCULPA se tenho fé e princípios a seguir, pelo simples fato de ser feliz no cumprimento deles, DESCULPA.
Pode parecer besteira, mas sinto que todos exigem de mim um pedido de DESCULPAS, por que não “sou assim”, não penso de “tal modo”. Sou feliz no que é simples, porque acredito que na minha vida tudo será diferente do que é com os outros, por acreditar no meu sonho de atriz, por pensar que as pessoas respeitam as outras e que sim, um dia, todos se colocarão no lugar um do outro, assim ninguém ferirá ninguém. Eis aqui minhas humildes DESCULPAS.
DESCULPA se não sei disfarçar quando o seu sorriso falso vem ao meu encontro. DESCULPA, se você acha que eu não sei o que você inventa sobre mim, DESCULPA. DESCULPA, por que eu tenho a consciência tranquila sobre meus atos. DESCULPA, se você não consegue ser feliz e tenta sufocar a felicidade dos outros, DESCULPA.
DESCULPAS eu também peço a mim, quando constato que contos de fadas não existem. DESCULPAS peço a mim, por amar sentir o cheiro das rosas sempre esquecendo que elas tem espinhos e que os mesmos podem um dia chegar a me ferir. DESCULPA, se pra mim as melhores fotografias estão guardadas na memória da minha alma, DESCULPA.
E mil DESCULPAS por estar pedindo DESCULPAS, isso foi apenas um conjunto de palavras que o silêncio, a calmaria e a minha alma queriam dizer. DESCULPA.


por Brenda Oliveira

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Panela DE’PRESSÃO
foto: brasilescola

Meses perdidos. Dias de desencontros. Uma solidão sem fim. Um pedaço de mim que foi arrancado ou roubado, ou eu simplesmente o comi. Por horas me sinto invadida, rasgada e ferida pelos olhares de alguém. Sinto-me sem sintomas, mas chagada, lastimada por algo que eu ainda nem sei de onde veio; qual a força e o tamanho que tem. Só sinto que a pressão vai aumentando e os gritos que eu vou soltando deixam de ser apenas sussurros e passam a machucar ouvidos, os meus ouvidos.
Sinto-me abafada pelas palavras que foram ditas, pela amizade perdida, pelo meu desejo sincero de viver, apenas viver e por isso ser culpada, presa e posta em cima da fogueira. Acredito por horas e horas que o gás que possibilitou que os fogos fossem lançados e que me fizeram queimar, baixaram por um tempo, a esperar por minha explosão que por fim não se deu, e que gerou a fome dos egos dos donos do fogo, que queriam me ver gritar e continuar parada, imóvel, padronizada.
O fogo que queima é o mesmo que parece me congelar, pois chega um momento que as dores não são mais sentidas, o grito é algo constante e a paz, por vezes perdida, é encontrada apenas nos sonhos, nos desejos de estar sobre a mesa, de gerar alegria, de fazer-me importante, de ter um sentido real de utilidade, de ser panela e não o receptáculo da pressão e muito menos um corpo disponível para a depressão da alma, da palma, do olhar.
Esse estado vazio costuma atormentar essa panela desde o despertar. Talvez ser panela já não tenha mais tanto sentido, já não seja a razão dos mais loucos vícios do viver. Talvez e somente o talvez seja a única certeza para que as novas tentativas já não sejam tão dolorosas e que os gritos gerados pela pressão sejam ouvidos e agridam os outros ouvidos e não somente os ouvidos dos dias dessa panela de’pressão.


por Brenda Oliveira

sábado, 26 de setembro de 2015

No olvidaremos jamás

Hoy 26 de septiembre se cumple un año sin sonrisas largas, sin miradas llenas de amor y presencia. Un año de la desaparición de 43 normalistas de Ayotzinapa.
¿Por qué me duele tanto? ¿Por qué duele tanto?
Yo vengo ofrecer mi corazón, mi cuerpo y mi voz si necesario. Sé que el dolor de los papás de los 43 normalistas no cesará y que sus corazones no se quedaran confortables hasta saber lo que ha pasado con sus hijos, dónde están, qué necesitan… Sé que sus corazones jamás descansaran en cuanto no tuvieren la oportunidad de ver la justicia acontecer.  El tiempo ha pasado, pero la lucha continua… ¡Porqué vivos los llevaron, vivos los queremos! Es una herida que no deja de sangrar, son ojos llenos de esperanza que inundan el tiempo que sólo pasa y nada cambia. Son memorias de sonrisas, abrazos y miradas que hasta hoy desean el reencuentro. Es un frío que duele mucho más por el vacío que existen en nuestras almas, sean de mexicanos o brasileños, somos seres humanos. ¡Somos #Ayotzinapa! ¡NO AL OLVIDO!
¡No callar! ¡No cansar de luchar….JAMÁS! Personas no pueden simplemente desaparecer….

Gracias a todos los artistas que prestaron su arte, su alma en este homenaje!!!

Brenda Oliveira

Soledad...

Esperar el momento correcto para seguir adelante es lo que más me ha atormentado últimamente. Un largo puente. Un grito. Una independencia que aún no existe. Yo me quedo en casa escuchando Caetano, comiendo huevos con pan, queso y tomando una copa de leche bien caliente. Esta es la vida de una mujer que tiene mucho miedo de la soledad, pero la soledad ya existe en su vida.
Correr atrás de los sueños puede parecer algo muy hermoso, poético, un verdadero acto de coraje, pero la realidad es un poco distinta. No es tan hermosa, y sí, un tanto poética, pero…  y sobre el coraje…  ese ya no existe, o mejor vive al nacer del día, pero muere siempre que se regresa a casa, porque solo ahí existe el encuentro frente al espejo y así se puede mirar a los propios ojos y ver quién es.
Frecuentemente miro la vida y no encuentro mi lugar, o lo encuentro y tengo miedo de seguirlo. ¿Dónde estoy? Yo siento que estoy caminando más adelante, pero no quiero con eso estar tan lejos de mí o de ti. Tan lejos de continuar lo que todavía no he vivido. De no llegar el día de elegir lo que quiero hacer por toda la vida. Soy artista, soy mujer, niña, soy la nada. Yo podría en este momento decir lo que no sé, pero no lo sé, entonces continuo así, viviendo entre sonrisas largas, miradas lejanas y toques insensibles. 
Todo me parece a mí un gran cuento de hadas, pero las hadas nada hacen por mí, no me ofrecen lindos regalos y tampoco realizan mis deseos. Estar perdida me parece un camino interesante, pues así las cosas ocurren, las personas aparecen en nuestras vidas, los amantes se enamoran a todo momento sin sentir culpa de sus actos, sin sentir culpa de amar a la vida, a alguien o a ti.
Sentir culpa es el mayor pecado que una persona puede cometer. Por eso no siento culpa de amar, de vivir, de llorar y sonreír. Pero siento la gran culpa de sentir tanto miedo de la vida, tanto miedo de hacer arte que es mí gran fuerza, mi mayor grito, mi mayor “yo”. Tengo miedo de descubrir hasta donde podré llegar. Tengo miedo de nunca entender quién soy, quizás  esto no sea necesario. El miedo es el gran combustible para que yo insista en querer vivir.


                                                                                                                                                 Brenda Oliveira

sábado, 18 de abril de 2015

Existem dias e dias. Um tempo

Cento e cinquenta e sete dias sem escrever são para mim, exatamente, dias sem muito sentido, sem carinho, sem encontros, sem ilusões, sem uma vida que faça de mim uma poeta como um dia quero chegar a ser. É isso, viver sem ter tempo para escrever o que a vida pode oferecer, me faz sofrer, chorar e pensar que nada voltará a ser como antes, não que estar cômoda seja o certo, mas sempre temos algo que não queremos que mude, morra ou se esqueça de nós.
Imagem: Oleg Oprisco
Nestes dias sinto muito frio, vejo muitas pessoas e não vejo ninguém. Sinto falta dos bons e velhos costumes brasileiros, mesmo estando encantada com as belezas mexicanas. Mas sabe quando nos sentimos sós, mesmo estando com muitas pessoas ao redor? Sim, isso é um tanto triste, é desolador... Eu sinto falta da minha família, falta dos amigos, não que eu tenha muitos, porque sei que não tenho, mas sinto falta dos poucos que conseguem me aceitar por completo, com defeitos e virtudes. E isso é todo o frio que sinto. Tem dias que congelo...
Tem dias que deixo de crer que, talvez, eu seja importante para alguém. Esqueço que a pessoa mais forte dentro de mim é a realista, pois existem dias que a única pessoa que consegue viver em mim é a que acredita em amores eternos, encontros completos e uma arte que liberta e não machuca a ninguém. É difícil não poder controlar a mim mesma. É difícil crer que comigo tudo vai ser diferente de como é com a maioria. É difícil acreditar que a vida é um ciclo se, justamente o lugar, o momento e o instante em que quero voltar, nunca chega.
Tem dias que o tempo custa passar. Há dias em que o tempo passa rápido demais e existem dias que eu queria parar esse tempo louco e dizer “cansei desta prisão”, pois me sinto podada dentro desta esfera temporal e lógica da vida. Tenho uma alma livre que pode até ser que busque uma prisão, mas ela será prisioneira por livre arbítrio. Atualmente ela é presidiária dos instantes fugazes, dos sorrisos recordados, dos amores vividos e dos sonhos que estão sendo construídos. Para viver a minha vida eu recomendo a quem queira: que veja a lua como o melhor dos amantes, o sol como o furor dos dias, o mar como se estivesse vendo sua própria alma e permitindo que ela se vá, ganhe o mundo e livremente seja tua. Preciso ser assim, porque congelar dói demais.

por Brenda Oliveira. 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

SINTO QUE AINDA ESTOU INCOMPLETA

Saudade das pessoas que passaram pela minha vida e levaram pedaços de mim e me montaram com pedacinhos seus. Recortes dos sorrisos, das manias, dos fatos conduzidos por estes “alguéns”. Eu admito que passei um bom tempo sem escrever. Passei um bom tempo dormente, eu não estava conseguindo montar o meu quebra-cabeça. Sinto que ainda estou incompleta, mas a vontade de ver em qual imagem me transformarei é bem maior.
Reparem que sempre procuro falar de sonhos, de amores, de flores e de saudades que tenho, que tive e que ainda vou ter, falo disso tudo porque no fim, muito não foi vivido por mim ainda. Meus sonhos nem sempre se concretizam, nem quando estou dormindo. Meus amores são sempre impossíveis, vão além do que o mundo real pode me oferecer. As minhas flores tem muitos espinhos e claro, algo tinha que ser real: a saudade.
Nos pedaços que fui deixando cair, caiu junto: a poesia que um dia eu tinha e por isso conseguia escrever. Temo que esse deserto continue e que o calor só dure pela manhã e durante a noite, quando eu mais pensar em sorrir, o frio me faça serenar e meu comportamento esteja restrito a leve tremedeira e a impossibilidade de caminhar, produzir, montar a mim mesma. Essas pessoas ajudaram a criar um ser ao qual não me identifico ou me identifico tanto a ponto de temer tal semelhança.
Eu perdi minha identidade, de fato, a normal que tiramos na secretaria de segurança pública, mas acredito que isso tenha sido um sinal, pois a minha identidade, cadê?! Cadê as curvas nos meus dedos, os riscos nas minhas palmas. Creio que tudo foi se desmanchando igualmente a minha paixão por mim. Ai pessoas... só as suas digitais que insistem em ficar, vocês gostam de me fazer chorar e por segundos acreditar que tudo vai dar certo e que a poesia que a tempos morria, ressuscitará.
Passos feridos em tempos de conflitos internos, externos, meus, seus, do mundo. Está a cada dia mais difícil entender os dias que não mais conseguirei ver tantos dentre aqueles que me marcaram. É difícil admitir que não consiga mais ver. É terrível não conseguir seguir os rastros e chegar ao réu culpado da minha desilusão. Mas é bom deixar claro que a juíza sou eu, e que o tribunal está um tanto sem ordem e que eu por negligencia estou deixando os culpados partirem sem necessidade de cumprir pena. E o que me resta? Ter pena de mim mesma!
por Brenda Oliveira

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

PARA: MIM

Sinto dizer, mas a mim é preferível o adeus...é preferível a porta fechada, sem janelas, nem válvulas de escape. Sinto dizer que a bolha estourou... É. Meu mundo caiu. Caiu de ladinho, de um jeitinho que até me fez bem. A verdade da vida é a poesia que ainda não consegui escrever, talvez nunca consiga, talvez seja uma aurora perdida de um dia que não vai nascer.
Mas acredite que as palavras nunca foram vazias e a fantasia insistia em manter-se viva mesmo apesar da descrença do alguém. Eu não gosto da paixão, insisto em não passar por ela, mesmo que isto seja inevitável. Só espero que as folhas sequem antes que meu coração transborde na loucura dos sonhos, na esperança da vida que se esgota a cada segundo que se vai.
Morrer. Seria tão difícil admitir esse desejo pagão? Seria certo amar para além da morte? Ou realmente ela tem o poder da separação? Só ela? Já não entendo a sua forma de ver os fatos. Já não quero ser um troféu na sua conquista desigual. Não quero olhar para vida e ver que ela passou e eu fiquei, mas nem sei por que digo isso. Viver sempre foi o meu melhor oficio e a vida sempre emprega alguém. Mesmo após demissões ela sempre me readmitia. Acho que sou boa de papo.
Sinto por um ultimo momento o desejo que tudo fosse mais fácil, que quem se sentisse um fracasso só pensasse em avançar e ser aquele que um dia se quis. Sinto por nossos sonhos desencontrados, nossas vidas que passaram, num passado que não vivi. É. É difícil admitir que eu não participo. Eu apenas assisto os seus sonhos e torço para que sejas feliz. Entendo que isso é tudo dentro do muito que queria expor, do nada que eu tenho para dar e de nada que eu queria que fosse.
Num susto eu vou me retirando, mas a câmera lenta esta ligada e meus movimentos vão sendo amarradas por uma força que não pertence a mim. Eu não consigo chegar à porta, eu já não vivo aqui.
por Brenda Oliveira.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Que seja um ‘ponto continuando’

Ser professor vai além de querer, pois nem tudo que queremos podemos ter/ser. Até entendo que essa frase é um tanto dura, mas já nem sei mais o que pensar. Ao entrar numa sala de aula, numa quinta-feira qualquer percebi mais uma vez o quanto a educação está decadente, está órfã. É. Eu sei isso não é de agora, mas só sente o baque, só cai na real aquele que se coloca no lugar de professor. Você que apenas ouve falar, nunca vai sentir a vontade de chorar e o desespero de não se achar capaz de mudar essa realidade tão absurda na qual vivemos.
Já diz muito bem o ditado: “Educação vem de berço” e é verdade, mas infelizmente acho que as crianças não despertaram do berço ou nunca dormiram em um. A família faz pouco caso e monstros vão sendo criados para engolirem a quem? Aos próprios pais e àqueles que tanto estudaram e estudam para dar o melhor de si numa sala de aula. Não é que o barulho incomode tanto um professor ao dar sua aula, mas o barulho faz doer algo dentro dele, parte de sonhos que um dia ele teve é ferido.
Entendo que existem muitos professores calejados, que perderam com o tempo a força e a coragem de mudar e se renderam ao cansaço. Tenho certeza que se eu perguntasse para aquele professor o que ele esperava daqueles alunos, ele diria: “nada, façam o que quiser e podem manda-los embora”, eu até poderia acha-lo um tanto arrogante e criticá-lo por ter dito, até admito que fiz isso, mas quem sou eu?! Infelizmente não sei quem, como ou o quê roubou os sonhos dele, a ousadia e “rebeldia” de um artista que ele é ou um dia foi.
Não entendo esse sistema educacional que trata todos como um só, pois vejamos, cada um de nós somos diferentes, iguais na humanidade, mas diferentes no tempo para aprender, no modo como aprender, mas ninguém está atento para isso, apenas os números são importantes. O que interessa para o Governo não é saber como anda o desenvolvimento dos conhecimentos do aluno, mas sim quantas crianças e jovens estão em sala de aula, até parece que não sabem que “quantidade não é qualidade”. Estar dentro- se tratando da arquitetura de uma escola- não significa que lá há educação. Isso quando o espaço físico existe.
É... naquele dia eu deixei aquela escola triste, estava pensativa, preferi não pegar ônibus e caminhar bastante, para tentar entender até que ponto chegamos. Desejo que não tenhamos chegado ao ponto final, mas que tenhamos parado apenas num ponto continuando, para assim continuarmos lutando contra este sistema absurdo que nos ensina a somar e nós exige uma multiplicação. Lutemos ainda mais por uma educação que vem antes da escola e que se estenda por toda vida. Aos professores peço AÇÃO, aos alunos dedicAÇÃO, às famílias educAÇÃO, pois se continuarmos nos omitindo os números sempre serão belos e a realidade feia demais para conseguirmos encará-la.
por Brenda Oliveira.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

"Até que a morte os separe"

Mesmo vendo o sangue riscar a neve, ela ainda ousou dizer que conseguia voar. Mesmo quando na agonia o perdia, ela respirava e afirmava que conseguiria voar, mesmo sem asas, sozinha e sem calma. Ela desejava voar. As asas são símbolos de uma história sonhada, tão querida por ela. Asas que apesar de serem abstratas permitem-na sair do lugar, sem ter hora pra chegar, sem dar explicação.
Poetizar o mar foi o que ela fez naquela noite, ao observar a força, a doçura e a música que impulsionavam aquelas águas, numa dança de dor e alegria, de desespero e fantasia, fazendo-a se entregar, sem ter a tal hora pra chegar, sem querer tocar o chão, voltando sem um pedaço de si, pois alguma coisa tão profunda e amável ele deve ter roubado aquela noite. Algo sobre um sonho, um olhar, um futuro do presente, vivido num pretérito mais-que-perfeito.
Quão lindo os olhos negros da noite, e quão doces os lábios do vento tocando os seus. Deve ter sido quente sentir a água do mar nadando em seu corpo, fazendo-o arrepiar. Foi estranho assim tentar amar. Foi difícil aceitar a diferença, mas a paixão que a ela cerca foi além do real, foi como algo nada natural, mesmo sendo o casamento de duas naturezas intensas e livres na beira mar. Foi como nadar e se perder dentro de si... nadar sem respirar, pois o tempo não poderia ser desperdiçado, as asas estavam cansando e o amor só começando.
Pousar, isso ela já não conseguia mais, estava anestesiada, dopada pela paisagem perfeita que esconde durante o dia grande parte do seu romance, de sua poesia. As ondas sem direção a faziam querer perder os sentidos, faziam querer buscar o abismo e se tornar vento junto aquela imensidão, que por segundos é mansa e por milésimos de segundos é forte o suficiente para ferir seu coração, retirando aquele líquido vermelho que ele deixou cair em uma neve qualquer, num dia sem sol.
“Até que a morte os separe”, foi só o que ela ainda conseguiu escutar. A dor já era intensa demais e o final daquele corredor adornado com rosas vermelhas já estava acabando e ela se aproximando dele, até que subitamente um grito foi escutado e aquela fada branca e brilhante que caminhava caiu ao chão e se fez morte e se fez a causa da separação.

por Brenda Oliveira





segunda-feira, 25 de agosto de 2014

ENTRE NUVENS

Hoje parei, simplesmente parei e assim pude olhar para o céu e ver belas nuvens, levemente postas no ar, levemente desenhadas neste céu, mas sem brilho, sem encanto, sofridas e detidas como que por engano. Um amar perdido e solto como o vento, louco e sincero como o tempo.
Elas pareciam frágeis, mas eram fortes no tocar, fortes no amar. Carregavam intensidade nas mãos, mas o céu hoje não está tão estrelado, está pouco carinhoso, muito calmo e assim elas não conseguem amar. Só sabem amar através do medo, através do desespero de quem não entende, de quem chora e a faz chorar, para assim o romance ser perfeito. Nuvens carregadas de paixão em um, talvez, peito.
A paixão é um sentimento que arrebata, que rasga e que pode até matar. É através dela que as nuvens ousam se chocar e gritar por terem medo daquele ter sido o último sentido, o último suspiro, pedido de amor. Por isso, as vezes preferem amar como hoje, no silêncio perdido, com abraços quase sem sentido, para que o outro não sinta dor e o céu seja o caminho para as estrelas.
Estrelas que hoje parecem estar tímidas, contidas. Estão como olhos perdidos em transe, mergulhados em sentimentos vãos. Olhos opacos. Estrelas que caem ao chão por estarem tão cheias de emoção e não conseguirem suportar os amantes que por ali estão. Não conseguem se quer perder o hábito de só quererem brilhar, sem respeitar o romance que não as pertence, mas que as esconde e que as entende.
É no vazio da noite, devido a um silêncio embutido no sorriso alheio, que elas escondem seus toques, seus sons, suas sensações, para que a calma pareça rara, como assim é, entre nuvens que se tocam apenas quando as estrelas se vão, pouco antes do amanhecer, segundos antes delas terem que desaparecer ou fingir indiferença. Essa é a realidade deste céu, uma beleza que não permite o amar.
por Brenda Oliveira.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

PALAVRAS SOBRE...



Penso que todos olham para a vida e a imaginam ser uma caixa cheia de fitas. A cada dia que passa um laço se desfaz. A cada instante uma vida se vai. Em cada toque o presente é refeito, as fitas são transformadas em lindos laços e a surpresa causa momentos de dor e desespero.
Os momentos são sempre suspeitos de crimes ainda não cometidos. São preenchimentos dos vazios. São finalizações do que ainda é infinito. São passados, presentes e sorrisos descontentes. Eles são apenas instantes vividos ou perdidos. São frustrantes. Fruídos. São borboletas sem chão.
A vida que sempre ousa afirmar-nos: Sou passageira, por vezes insiste em não passar, em só ficar e não deixar-se ir, apenas abandonar-se por cá e fingir ter razão, em ser a solução, mesmo quando o nada é o seu maior dizer, mesmo quando a poesia é o resultado da morte de uma louca paixão. É triste, eu sei, mas acontece muito por aí.
Vejo a vida como um grande bingo, ou algo parecido. Somos sorteados diariamente para vivermos felizes ou não, amantes ou não, coloridos ou apenas em preto e branco, sem emoções, sem as tais das paixões. É sempre injusto esse sorteio, mas muitos não ligam e preferem sempre apostar, aí, já não sei se isso é loucura ou sanidade ferida.
Feras são muitos de nós, mas esquecidas de como caçar, tornando-se apenas presas gordas, entregando-se sem medo aos seus alimentos para alimentá-los, pena que isso não acontece por amor. A vida é um consumo premeditado, exacerbado e até a nossa morte tem que dar lucro, pra quem? Talvez para nós mesmos, ou para a própria morte. É apenas saber dar o devido fim.

por Brenda Oliveira.