segunda-feira, 11 de agosto de 2014

PALAVRAS SOBRE...



Penso que todos olham para a vida e a imaginam ser uma caixa cheia de fitas. A cada dia que passa um laço se desfaz. A cada instante uma vida se vai. Em cada toque o presente é refeito, as fitas são transformadas em lindos laços e a surpresa causa momentos de dor e desespero.
Os momentos são sempre suspeitos de crimes ainda não cometidos. São preenchimentos dos vazios. São finalizações do que ainda é infinito. São passados, presentes e sorrisos descontentes. Eles são apenas instantes vividos ou perdidos. São frustrantes. Fruídos. São borboletas sem chão.
A vida que sempre ousa afirmar-nos: Sou passageira, por vezes insiste em não passar, em só ficar e não deixar-se ir, apenas abandonar-se por cá e fingir ter razão, em ser a solução, mesmo quando o nada é o seu maior dizer, mesmo quando a poesia é o resultado da morte de uma louca paixão. É triste, eu sei, mas acontece muito por aí.
Vejo a vida como um grande bingo, ou algo parecido. Somos sorteados diariamente para vivermos felizes ou não, amantes ou não, coloridos ou apenas em preto e branco, sem emoções, sem as tais das paixões. É sempre injusto esse sorteio, mas muitos não ligam e preferem sempre apostar, aí, já não sei se isso é loucura ou sanidade ferida.
Feras são muitos de nós, mas esquecidas de como caçar, tornando-se apenas presas gordas, entregando-se sem medo aos seus alimentos para alimentá-los, pena que isso não acontece por amor. A vida é um consumo premeditado, exacerbado e até a nossa morte tem que dar lucro, pra quem? Talvez para nós mesmos, ou para a própria morte. É apenas saber dar o devido fim.

por Brenda Oliveira.

2 comentários:

  1. Genial: “A cada dia que passa um laço se desfaz.”
    Genial: “Em cada toque o presente é refeito”
    Genial: “São borboletas sem chão.”
    Genial: “ mesmo quando o nada é o seu maior dizer”
    Genial: “É triste, eu sei, mas acontece muito por aí.”
    Genial: “aí, já não sei se isso é loucura ou sanidade ferida.”
    Não sei dizer se esse é o texto mais bem escrito desse blog, mas certamente é o mais bonito. Li três vezes e ainda não digeri, tem loucura e lirismo nessa crônica, putz... queria ter escrito essa. Parabéns!

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  2. Genial: "Li três vezes e ainda não digeri"....hehe....Obrigada moça!!
    Até a próxima NOTA!!!
    abraços!!

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