segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Lembro dos dias que passaram, lembro que não o esqueci quando deveria, uma ausência continua.


Foto: İzinsiz Gösteri

Lembro como se fosse hoje, meu primeiro dia na sua ausência. Fiquei só contemplando a tua essência que se partia. Contando as horas de todos os meus dias, esperando que voltasse. Até cheguei a acreditar em milagres. Mas ainda acho que um dia você voltará, ou talvez, será apenas mais uma lembrança, pois muitos se vão todos dias, sem despedidas, sem adeus.
Eu cheguei a sentir uma dor inexplicável. Só quem foi mãe sabe o que digo, quando se perdi algo. Só elas sabem o que sinto quando vejo essa cadeira vazia, nesse dia tão comprido, que insiste em não me presentear com seu adeus.
Minha vida anda sem sentindo, eu me perco no silêncio dos outros que temem em me dar a mão. Me perco em meio a tanta dor. É sempre tão estranho, pois com o passar dos anos, ainda não me acostumei com essa tua ausência continua, pois ainda guardo a sua voz tão viva em canções que um dia fizeste pra mim.
Aí meu dia fica engraçado, fica mudo, até que se torne um quadrinho em preto e branco, onde só eu tenho a capacidade de colorir ou excluir de dentro de mim. Ninguém mais vê você. Apenas eu.
Quando lembro àquele dia de domingo, talvez pela manhã, tarde, noite, madrugada ou já era além das 24h quando nos conhecemos. Você chorou. Eu me encantei por suas lágrimas, mas jamais pensei que essas mesmas lágrimas levariam você de mim. Isso tudo doeu mesmo. Você se mostrava quase perfeito. Agora és meu silêncio agudo na escuridão.
Preciso ir, mas essa passagem está demorando, já estou ficando impaciente. Já estou cansada dessa vida tão cara, que me destrói aos pouquinhos. “Por favor, leve-me de uma vez”. A impaciência é até gostosa de sentir de vez em quando, Mas até quando irei esperar? Já não tenho forças para viver um outro amor. Acho que você secou, quando o seu coração parou, o rio que me fazia amar.
Às vezes choro, só que chorar me faz lembrar você. Às vezes sorrio, mas lembro dos dias felizes que vivi com você, por isso cheguei a conclusão, de que não quero sentir nada mais. Quero ver o dia passar e minha hora chegar.
Estou ficando ansiosa agora. Esperei tanto por esse dia, quanta demora. Quero vê-lo de perto, quero sentir teu cheiro, quero ver teu sorrido, pois dessa vez ele que me seduzirá, será através dele que minha vida reviverá, em outros tempos, é claro.
Acho que...nem sei dizer o que está acontecendo, só vejo além das formas. Estou entendendo o mundo de uma outra forma. Estou voltando a amar. Estou a caminho de te encontrar. É querido, o meu dia chegou, já posso até ouvir de novo a tua voz, mas ela não está só na lembrança, ela agora é chama, é viva e voraz. Teu cheiro é tão doce, quase que não reconheço. Você mudou. Você é outro, mas é o mesmo.
Agora vendo onde eu estava percebo que deixamos as cadeiras vazias, agora não é só a sua, é a minha também. Só que dessa vez ninguém vai sofrer, ninguém vai lembrar, pois a minha vida era apenas você, que eu revivo agora, mesmo não vivendo mais.
Todos vão apenas ver duas cadeiras, enquanto eu via uma história inteira ao seu lado e sem você também. Agora nada mais são para mim, estou aqui. Vejo que o silêncio agora é tão reconfortante e tão intrigante. “Para onde você vai? Você não deve partir! Eu vim ficar com você! O que está acontecendo?”
Ah, eu não entendo isso aqui, pensei que era o fim, mas você continua a se perder de mim. Agora só vou chorar, por que sorrir me lembrará você. Agora sou eu só, sem cadeiras, com lembranças e mais uma velha e nova perda.
Espero ainda que volte. Espero ainda um dia te alcançar.

por Brenda Oliveira.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ela só queria amar

Ela só queria amar, mas o mundo a enganou, a recusou e a fez sofrer.
Ela só queria poder, mas não foi, se podou e morreu.
Ela só queria dizer que com três palavras não se escreve um livro, mas se consegue escrever milhares de vidas.
Todos os dias ela busca algo ou alguém, mas sempre se perde, ou se afoga e roga pedindo por ninguém, querendo não prosseguir num caminho com o sentimento que ela não tem.
A cada instante, que ela te encante, que ela cante e ame, mesmo assim não será feliz. Mesmo que a ame, mesmo que inflame o amor em seu coração de meretriz. Ela é fugaz, é dor, é anil.
Ela esboça sofrimento, choro e prazer, que se espalha com o vento e te causa espanto, alento.
Talvez, por não saber se ela viverá uma vida inteira. Mas como saber se a vida em que vivemos é inteira? Ela é só metade, só vaidade, só tensão, só.

Solitária, mesmo quando estás presente.
Perdida, mesmo com um guia a esclarecer-te a mente.
Ela é uma trilha não trilhada.
Um porão escuro, cheio de nada.
Um livro que o poeta não escreveu.

Ela só tem vida quando ele a escolhe, quando a desenha e sopra em seu peito, confiando que um milagre aconteça. Mas e quem não acredita em milagre? Ai é só rezar...
Rezar para ele que a enganou por anos, que a fez se expor para um grande engano, pois ele nela nunca existiu, nunca se formou, ninguém nunca viu.
Ele partiu e levou todos os sonhos, todos os anos.

Quando ela se senta à grade na janela, é pura poesia. Exalando um perfume de amora e de fantasia, vendo as vidas passarem, um mundo que não para, ficar só.
Ela vai se identificando com tudo e se perdendo dentro de si, se achando nele lá, e dizendo que tudo o que viveu até aqui não se torna vida, só morte.
A morte é um encanto, é um ladrão que chega em passos brandos, cheio de carinho, mas que não te dá o perdão.
A escuridão a pariu, a cuspiu e nem a viu, uma donzela, a chorar uma ilusão.
A viver sem emoção, a vida plena que nem sempre cabe na nossa “caixa cênica”.

Com o olhar distante ela vai sumindo, partindo da realidade que não cabe na sua vontade de ser feliz.

por Brenda Oliveira.

sábado, 26 de outubro de 2013

Pela Noite

 Era noite, enquanto todos dormiam, ela se sentia mais viva, transparente e secreta, como se do alto ela tudo pudesse ver. Adorava fazer a terra viver de verdade, verdade que ela gerava, mas ninguém enxergava. Pensava consigo: para onde iam todos os sonhos que ela criava, será que eram todos abortados, falíveis?
Era de uma fragilidade imensa seu poder, seu querer, pois era sempre esquecida, transparente, incolor. Ela ainda tão inocente, acreditava em contos de fadas, em príncipe encantado.

Temia comer a maçã envenenada.
Cautelosa era para não perder o voo da imaginação.
Temia essa realidade cruel.
Amava a vista que tinha do nada.
Gostava da brisa do vento que nunca chegara.
Gostava quando a dor passava e mesmo assim sofria.
Queria ter dentro dela uma alma, pois a vida por si só não lhe convinha.

Por quase todos os momentos de sua vida, queria ser vista.
Queria ser uma voz que desabafasse.
Querendo ser tantas em uma só.
Uma dama, uma rainha, a plebeia adormecida, do branco que desbotou.
Sua vida era crescente, a cada dia mais próximo de outra vida.
Não pensava em ser outra, se nem nesta vida podia ser alguém.
Só queria um risonho-sereno, uma gargalhada rasgada no vento
Cheia de dor e alento, vindo sem querer chegar em lugar algum.

Menino queria ser.
Não amando, mas sendo.
Querendo correr e brincar sem ter em quem depositar o medo que guardara consigo.
Menino queria ser.
Pois o desvio do vento o deixaria com direção, para ir onde nunca pensasse
Onde o amor só amasse e o medo medroso não o amedrontasse.

Queria apenas sorrir.
Fingir que amou.
Ter na vida o que ela não quis.
Roubar seus próprios sonhos e dormir como em todos os dias.
Ser perfeita na imperfeição dos dias.
Levar uma vida escorregadia.
E sofrer por amor.
Sofrer sem dor, sendo um menino sozinho, à espera de uma vida para viver.
Lembrando do que queria esquecer.


por Brenda Oliveira.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Essência

Sou do tempo
Que o amor era poesia
O verso uma sinfonia
A declamação, o viver
Sou do tempo
Em que flores eram vida
Em que a tristeza refletia alegria
Em que o romance era poesia

Minha alma
Não pertence a esse mundo
Aqui sou apenas um moribundo
A procura do amor
Minha alma
Esta solta e aprisionada
Fica perdida e é encontrada
Nos fragmentos a se decompor

O meu tempo
É devagar e acelerado
É doce e amargurado
É tímido e sedutor
O meu tempo
É a favor da vida
É contra as brigas
É um NÃO a procura...

Eu sou
Um livro aberto?
Sou segredo, sou secreto
Sou tesouro amaldiçoado que ninguém levou
Eu sou
O vento que bate
O som na imagem
O grito que cala, que ama, que parti.

por Brenda Oliveira.





sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Fui pequena

Quanta saudade do tempo de criança, em que a chuva era um acontecimento histórico. Em que brincar de ser adulto era interessante.
Sinto saudade de não precisar ter saudade de nada.
Sinto saudade de me sentir sempre pequenina, um botão de rosa, sempre baixinha ao lado dos meus pais, apesar de saber que para eles, eu sempre serei a baixinha, o botãozinho de rosa.
Quando criança o mundo é um grande presente, em que abrimos no decorrer dos anos, mas que podemos chegar a gostar ou não, do que receberemos dele.
Saudade de ser pequena, pois acordar cedo era uma ‘onda’, meus pais que o digam:
Atenção senhores passageiros com destino ao Pax”, ai a escola, quanta saudade desses tempos, desse momento da vida que não volta mais, onde tudo era poesia, prosa, cantiga, nada mais.
Sinto saudade de ser criança, porque criança não se difere, criança só é criança.
Mas por mais que eu sinta saudade, eu sei que nem tudo passou. A minha alma ainda é pequenina, a criança ainda não morreu aqui dentro.
Por isso eu rio sem medo, eu choro e amo e até enfraqueço de tanto amar.
Eu encanto e desencanto, eu apenas amo, porque amar é coisa de criança também, elas amam mais.
Eu não quero crescer nunca, eu só quero continuar vivendo a vida, brincando na rua sem a preocupação com o depois.
A chuva que antes era encanto, hoje é lembrança.
Sinto saudade das outras crianças, que assim como eu cresceram, que foram embora e me deixaram aqui.
Sinto saudade da eternidade que eu sentia ser, que eu podia tocar e viver.
Saudade de ser uma ‘Super-heroína’, de pensar que a minha Rosa é única, que a minha terra é Nunca e que a cachoeira é a lágrima de uma bela e boa deusa, e eu nem sei se pensei nisso.
Saudade, apenas saudade.
Saudade da inocência que hoje se perde desde pequeno.
Saudade de acreditar, sem titubear, que somos capazes, capazes de sermos sempre...
...eternas crianças. Só para amar.
Porque para a criança o amor é o concreto, é o belo afeto, que tocamos com um abraço.
Eu passo. O desejo que um dia eu tive de crescer.
A brincadeira singela de ser ‘gente adulta’.
A madrugada que, já não mais, me assusta.
A loucura de não ser feliz.
Mas quero poder nascer de novo. Viver tudo de novo, do jeitinho que vivi.
Eu fui e ainda sou criança.

por Brenda Oliveira.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Sentimentos

A calma, geralmente não acalma.
A dor nem sempre é dolorida.
O choro pode ser de alegria.
O sorriso pode ser de desespero.
Ter vida, não significa estar vivo.
Morrer não me parece o fim.
Um fim pode ser um belo começo...


por Brenda Oliveira.

domingo, 8 de setembro de 2013

Lembranças: uma vida!


Acabou de acabar o tempo,
A insônia,
O medo,
Tudo o que tenho.
Só o que sobrou foram tristezas,
Covardia e solidão.

Empenho-me muito para ser o que não sou,
Mas sempre fracasso.
Ó vida.
Ó palavra maldita,
Que dói antes mesmo de ser pronunciada,
Antes de ser provada.

Todo dia uma esperança,
De ter no meu vazio
Uma felicidade concreta,
Lapidada que jamais se quebre
Ó fraqueza.
Ó angustia perseguidora.

No quintal...
O vento
A lembrança
O sorriso, em preto e branco,
Uma vida perdida, esquecida.
Um foto 3x4 que nem lembras mais
Um destino que não prosseguiu.

por Brenda Oliveira.