sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Fui pequena

Quanta saudade do tempo de criança, em que a chuva era um acontecimento histórico. Em que brincar de ser adulto era interessante.
Sinto saudade de não precisar ter saudade de nada.
Sinto saudade de me sentir sempre pequenina, um botão de rosa, sempre baixinha ao lado dos meus pais, apesar de saber que para eles, eu sempre serei a baixinha, o botãozinho de rosa.
Quando criança o mundo é um grande presente, em que abrimos no decorrer dos anos, mas que podemos chegar a gostar ou não, do que receberemos dele.
Saudade de ser pequena, pois acordar cedo era uma ‘onda’, meus pais que o digam:
Atenção senhores passageiros com destino ao Pax”, ai a escola, quanta saudade desses tempos, desse momento da vida que não volta mais, onde tudo era poesia, prosa, cantiga, nada mais.
Sinto saudade de ser criança, porque criança não se difere, criança só é criança.
Mas por mais que eu sinta saudade, eu sei que nem tudo passou. A minha alma ainda é pequenina, a criança ainda não morreu aqui dentro.
Por isso eu rio sem medo, eu choro e amo e até enfraqueço de tanto amar.
Eu encanto e desencanto, eu apenas amo, porque amar é coisa de criança também, elas amam mais.
Eu não quero crescer nunca, eu só quero continuar vivendo a vida, brincando na rua sem a preocupação com o depois.
A chuva que antes era encanto, hoje é lembrança.
Sinto saudade das outras crianças, que assim como eu cresceram, que foram embora e me deixaram aqui.
Sinto saudade da eternidade que eu sentia ser, que eu podia tocar e viver.
Saudade de ser uma ‘Super-heroína’, de pensar que a minha Rosa é única, que a minha terra é Nunca e que a cachoeira é a lágrima de uma bela e boa deusa, e eu nem sei se pensei nisso.
Saudade, apenas saudade.
Saudade da inocência que hoje se perde desde pequeno.
Saudade de acreditar, sem titubear, que somos capazes, capazes de sermos sempre...
...eternas crianças. Só para amar.
Porque para a criança o amor é o concreto, é o belo afeto, que tocamos com um abraço.
Eu passo. O desejo que um dia eu tive de crescer.
A brincadeira singela de ser ‘gente adulta’.
A madrugada que, já não mais, me assusta.
A loucura de não ser feliz.
Mas quero poder nascer de novo. Viver tudo de novo, do jeitinho que vivi.
Eu fui e ainda sou criança.

por Brenda Oliveira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário