segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Somos todos coloridos neste enorme “teatro de animação”


Imagem: “Figuras coloridas”
Autor: José Branco

Muito palco. Muita luz. Pés no chão, alma flutuante. Sonhos coloridos, mas realizações concretas em preto e branco.
Ao nascermos trazemos conosco... Trazemos conosco? Não trazemos nada. Chegamos vazios e perdidos. Chorando por termos sido expulsos do lugar que era só nosso. Lugar sem ‘cor’, sem ‘modos’.
Ao nascermos, ao sairmos do ventre materno, metade de nossa liberdade é “morta”, pois neste exato momento somos censurados, por que se não queremos chorar, somos obrigados.
Esta censura se estende e se divide em atos, cenas curtas, esquetes do passado. Um “teatro do absurdo” em fatos reais. É... queridos protagonistas e antagonistas, não ganhamos nada, apenas promessas-“premiadas”, por fazermos parte deste elenco não incolor, insistente em ter cor.
Estava pensando no que escrever, qual roteiro fazer, qual texto decorar, mas não sou a diretora do meu espetáculo, não sou a preparadora de elenco, nem a autora de todos os fatos. Eu apenas sorrio e choro, amo e odeio, como uma marionete sem forças, querendo até resistir, mas sendo forçada a ‘agir’.
Movimentos contidos, risadas sofridas, pensamentos infinitos. Só eles que podem fazer o que querem. Eu apenas observo e os invejo. Invejo essa liberdade, esse teatro de rua, a quebra da “quarta parede”, que não foi quebrada na minha cena.
Acho que saímos da Grécia, mas a Grécia não saiu de nós. Acho que esquecemos os deuses, mas elegemos deuses algozes, talvez achemos a vida tranquila de mais, não sei o que se passa no seu roteiro. O meu eu não escolhi, mas já estou em cena, não posso voltar atrás.
Que entrem as cores, as formas, as horas de tentar e desistir. Que se unifiquem pele e alma, para que todas as cores nos façam refletir, encerrar o espetáculo aos poucos, com cuidado, para deixar a história que “sem querer” eu vivi, e que propositalmente você escreveu, seja cumprida e distinta de erros que são só seus.
Neste momento já não sou dona do que escrevo. Acredito que qualquer um tomará o meu papel e seguirá sendo a estrela, do que eu imaginava ser, o meu espetáculo.

por Brenda Oliveira.





2 comentários:

  1. E abrem-se as cortinas para mais um espetáculo de Brenda Oliveira! Ou seria meu espetáculo, ou seria do rapaz que dobra a esquina de uma rua que não conhecemos? Mas então leio uma frase: "Neste momento já não sou dona do que escrevo. Acredito que qualquer um tomará o meu papel e seguirá sendo a estrela, do que eu imaginava ser, o meu espetáculo." E constato que esse espetáculo ainda é seu. Parabéns!!!

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  2. Ops....Obrigada!! hehe...abraços.!
    Até a próxima NOTA!!

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