Imagem: “Figuras coloridas”
Autor: José Branco
Autor: José Branco
Muito
palco. Muita luz. Pés no chão, alma flutuante. Sonhos coloridos, mas
realizações concretas em preto e branco.
Ao
nascermos trazemos conosco... Trazemos conosco? Não trazemos nada. Chegamos
vazios e perdidos. Chorando por termos sido expulsos do lugar que era só nosso.
Lugar sem ‘cor’, sem ‘modos’.
Ao
nascermos, ao sairmos do ventre materno, metade de nossa liberdade é “morta”, pois
neste exato momento somos censurados, por que se não queremos chorar, somos
obrigados.
Esta
censura se estende e se divide em atos, cenas curtas, esquetes do passado. Um
“teatro do absurdo” em fatos reais. É... queridos protagonistas e antagonistas,
não ganhamos nada, apenas promessas-“premiadas”, por fazermos parte deste
elenco não incolor, insistente em ter cor.
Estava
pensando no que escrever, qual roteiro fazer, qual texto decorar, mas não sou a
diretora do meu espetáculo, não sou a preparadora de elenco, nem a autora de
todos os fatos. Eu apenas sorrio e choro, amo e odeio, como uma marionete sem
forças, querendo até resistir, mas sendo forçada a ‘agir’.
Movimentos
contidos, risadas sofridas, pensamentos infinitos. Só eles que podem fazer o
que querem. Eu apenas observo e os invejo. Invejo essa liberdade, esse teatro
de rua, a quebra da “quarta parede”, que não foi quebrada na minha cena.
Acho
que saímos da Grécia, mas a Grécia não saiu de nós. Acho que esquecemos os
deuses, mas elegemos deuses algozes, talvez achemos a vida tranquila de mais,
não sei o que se passa no seu roteiro. O meu eu não escolhi, mas já estou em
cena, não posso voltar atrás.
Que
entrem as cores, as formas, as horas de tentar e desistir. Que se unifiquem
pele e alma, para que todas as cores nos façam refletir, encerrar o espetáculo
aos poucos, com cuidado, para deixar a história que “sem querer” eu vivi, e que
propositalmente você escreveu, seja cumprida e distinta de erros que são só
seus.
Neste
momento já não sou dona do que escrevo. Acredito que qualquer um tomará o meu
papel e seguirá sendo a estrela, do que eu imaginava ser, o meu espetáculo.
por
Brenda Oliveira.

E abrem-se as cortinas para mais um espetáculo de Brenda Oliveira! Ou seria meu espetáculo, ou seria do rapaz que dobra a esquina de uma rua que não conhecemos? Mas então leio uma frase: "Neste momento já não sou dona do que escrevo. Acredito que qualquer um tomará o meu papel e seguirá sendo a estrela, do que eu imaginava ser, o meu espetáculo." E constato que esse espetáculo ainda é seu. Parabéns!!!
ResponderExcluirOps....Obrigada!! hehe...abraços.!
ResponderExcluirAté a próxima NOTA!!