sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Passo...

Quase sempre penso
Que pensar é um retardo
Um retrocesso que me conforta em fatos
Que quase nunca os narro
Que quase sempre são perdão.

Eu penso
Que quem pensa nada faz.
Aquele que grita se desfaz
E o que achava que pensou fez pouco
Matéria rasa, objeto impessoal de um caso torto.

Ela pensa que pensar é humano
Somos a humanidade por um engano
Um homem mortal que com o tempo
Faz-nos acreditar que num porvir
Faz-nos mentir e ir

Pensamento que passa
Passado que empossa
Há quem possa um dia possuir
Um passado possesso, preso e com raiz.
Uma alma alada que “passaefica”

Uma passada larga
Uma vista rasa de um adeus sem fim
Que transforma a frase em oração
Uma simples palavra virando um objeto indispensável de ligação.

O que são palavras neste passado?
É estar doente, passando mal
Passando bem, passando sem
Sem nada a declarar
Sem um vazio a preencher

Vozes passando por mim
Transmitem o que há
Passando de geração em geração o que fiz aqui
Agora numa jazida gelada de mármore branco
Silencioso e profano passa

A palavra passa
O passado passa
Teu passo que permanece
O teu pensar me enaltece
Mas sinto um drama passeando em mim, sinto que penso.

Sinto ter dor
Sinto o longe e o perto
O direto e o indireto
Do pensamento que ainda nem fiz
Mas que um dia virá.

Por BRENDA OLIVEIRA.





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