terça-feira, 13 de agosto de 2013

O mundo deles

“Enquanto tudo passa... Eu vou ficando aqui mesmo. Talvez perdido para muitos, Mas sabendo que a cada segundo me encontro perfeitamente”. Isso foi o que ele disse naquela noite quente e fria, dolorosa e magnífica. Sem usar palavra alguma, apenas respirava a resposta escondida.
Ela o entendia, sabia que sua alma era doce e amarga, que por vezes amava como amava o nada.
O tempo para eles não passou ou até passou, mas nem chegaram a perceber.
Ela disse que “sentia-se n’outra dimensão”.
Ele sorriu e apenas tentou ter a mesma sensação, mesmo que parecesse impossível.
Mas há tanto na vida de impossibilidades...
“Foi nisto que você pecou” ela pronunciou, “por quantas vezes perdi, perdi teu perdão!”, mas logo então sorrindo a fez sentir, fez perceber que o gelo uma hora derrete, que a maré, por vezes vaza, mas torna a encher-se, pois não aguentaria viver sozinha, precisa do carinho de um rio, não um rio qualquer, mas um rio que para ela se desse a rir.
Revelou que quando está só ele chora, desmancha e seca. Torna-se pó. Mas se do pó fez-se o homem, “que glória em se desmanchar por alguém”, pensou docemente a moça!
Depois de tanto pela noite adentrar podiam ver-se, sem se olhar, sentir-se sem toque...
Encantado seria o dia, se carregasse no seu sol o calor de uma noite, ao mesmo tempo, que carregasse a luz, numa penumbra de encanto, que revelasse a ambos a beleza que juntos não poderão ver. Que apenas estando distante verão.
Ele a pediu que fosse então o dono do seu mundo... Ela sorriu e deixou escapar um NÃO.
Ambos riram, sabiam o que sentiam, pois sabiam que não sentiam, que apenas achavam, mas que na verdade tinham certeza que da vida que viveram tudo era real. Só o tempo que não. Desgovernado. Mentiroso. Até aliado. Um tanto preguiçoso em passar.
Mas na vida dela tudo passa. Na alma dele tudo fica.
“Você tem carinho pelo tempo?” “Você me ama como o vento?” ou “ Seria melhor que eu desejasse que me amasse como uma rocha?” Ela pensou por dentro. Ele a deixara desarmada, coração ferido, alma incendiada.
“Que susto” acordou gritando. Chorava, pois vivera num sonho, sem dor.
Apenas engano em viver sem sentir. Amar e não poder partir.
“Contigo sempre viverei?” ele a interrogou, mas ela já não podia responder.
O plano da Terra, do tudo, já se desfizera, pois em uma manhã ela se viu
Sem chão, com seu NÃO, a espera do seu talvez.


por Brenda Oliveira.




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