Estou aqui,
ao mesmo tempo sem parecer estar.
Não faço que
me vejam, não tenho cores, nem frias nem quentes, só mortas.
Estou vendo,
mesmo sem pedir que me tire as vendas, quero que vendam meus olhos.
Cansei de
tentar ver o que eu sou. Cansada de ver com olhos de vidro, sem cor.
Não consigo
mais aparecer, tanta luz está a me esconder.
Não consigo
encontrar um caminho...Não quero perder um carinho.
Quero apenas
senti-lo.
Acho que
estou lotada, mas não sinto nada.
Apenas um
vazio e pó.
Pó de um
cômodo esquecido, um rádio velho, um vinil por ai perdido.
Ouço a música
que não tocam mais.
Nascida por
engano, num período com números demais.
Muitos
signos, fracos significados.
Estou perdida
nesta magia de ser.
Guardada,
achada.
Tão
encontrada, que demoraria uma vida para me perder novamente.
Seria eu tão
sincera, que nada fosse inventado?
Onde está
minha criatividade?
Tão
verdadeira que tudo se afastasse sem dizer adeus?
Ah, como um
doce sem gosto, um gelo quente, uma mão fria.
Uma
respiração rompida. Uma luz que não brilha mais.
Sou um busto
vivo.
Minha vida já
foi esquecida.
Sentindo-me
uma morta-viva.
Escandalizo
meus pensamentos, enganados.
Eu me
atormento, preciso viver.
Não quero
perder.
por Brenda Oliveira.
Nenhum comentário:
Postar um comentário