sábado, 15 de fevereiro de 2014

"EU NUNCA DISSE..."

"Não precisamos das palavras... elas são fugazes. Precisamos dos olhares...eles sabem gritar!!"- resposta que dei em um texto...muito bem escrito, de uma amiga louca...
"Somos loucas!!!"- foi o que ela disse...

por Brenda Oliveira.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Só, o vazio e ele...

Imagem:www.taxinewsbh.com.br

Quem estava só, sorria de mansinho, se espreguiçava devagarinho, até que o sol começasse a surgir. O vazio de tão pequenino, tornou-se forte e cheio de luz para dar. Ele...só escutava um samba, talvez estivesse numa corda bamba com medo de escorregar.
Quem está só, só se sente num infinito, como se fosse um barquinho beirando um grande mar. O vazio é um susto refletido sobre essas águas que ela não cansa de escutar. Águas que calam e falam à medida que ela prefere esperar. E ele, é claro, ainda na corda bamba fez menção de pular.
Quem estaria só, não sentia tanto pela vida, logo por que, pobrezinha, esqueceu-se de remar. Remar sentada na canoa, com o sol e vento em polpa, mas que custavam passar. O vazio é o tempo que tenta sufocar pensamentos e ressuscitar falsas respirações. Ele, que já havia se lançado, entrou no samba dizendo: “Preciso me encontrar”.
E quem não gosta de andar só, também ao fim do dia, já de noite, entra na roda de samba e descobre que ali também é um mar... Aquilo que por vezes estava vazio agora é música, é “linda!/ no que se apresenta/ o triste se ausenta”. Agora ele, já no embalo, na roda com os bambas entregou-se a noite, preferiu cantar com o mar.
O que era só conseguiu preencher àquilo que estava vazio. O que estava vazio incomodou-se e ele “com a esperança do meu coração/ pois já vai terminando o verão” conseguiu seguir no mesmo embalo da canção, provando o remo contra a maré, se perdendo do ritmo sem deixar vestígios, trazendo o sol, que outrora havia partido.
O “só”, não existe. O “vazio” até persiste, mas "ele", “num é que existe?! Ou não??”. Ah! vou sambar...


por Brenda Oliveira.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Medo

Imagem:
Cena do curta de animação: Meu Medo- Direção Murilo Hauser.

Há um grande medo de se ter esquecido, de ter ainda medo, de ter medo de tudo, de manter o medo do que já foi medo um dia, do que como uma maresia, nos fez arrepiar. Sei que esse medo que nos perde é recíproco. O medo também teme que tenham medo dele. Muitos de nós temos. E o medo caminha só e perdido. Ele é sempre “o rejeitado”.
Sei que toda manhã temos medo, medo que se confunde com preguiça. “Preguiça” de abrir os olhos, de levantar, de viver. Esse medo que se fantasia, consegue por alguns minutos, ser curtido e gostosamente, saboreado. O medo é como o chão frio que nos toca ao amanhecer. Ele é a ducha fria, que refresca nossa pele quente fazendo-nos retroceder.
Eu não entendo para que tanto medo...
Precisamos do medo da morte, mas esse eu não tenho. Tenho o medo da perda. Medo da solidão. Medo da prisão da vida. Tenho o medo de que um dia a vida acabe sendo perfeita demais e não me sobre espaço para ter medo. Procuramos a perfeição, mas temos medo de sermos perfeitos. Medo de sermos completos, de estarmos no controle. Tememos sermos os heróis. Não queremos o sacrifício.
Entendo que a profundidade e complexidade do medo, é uma teoria nunca estudada, nem gerada. Sei que o nada é um medo profundo. O tudo, um medo carente. A vida, um medo que falece a todo instante. É como se o medo tivesse anseio em sentir medo, mas ninguém permite que isso aconteça. Todos querem ter medo primeiro. Somos um tanto egoístas e o mundo não nos oferece um antídoto contra esta “droga”.
Só que eu gosto de ter medo. De querer ir e ele me frear. Não querer e o medo da solidão me entusiasmar. É gostoso se jogar deste precipício. Nadar nessas águas, vivendo as aventuras humanas de “ser”. Voando na brisa que embala a alma e nos aflige por não estarmos no controle. É imensa a agonia que sinto quando estou na direção, mas perfeito o medo de seguir na contramão, remando contra a maré, quebrando as linhas da costura.
por Brenda Oliveira.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Encontros

Imagem: Alba

Passado e presente unidos. Esquinas e vilas perdidas. Solidão e presença contida. O primeiro olhar, o primeiro medo de perder. O olhar que transfere além da verdade, uma alma serena e de pura arte. A artista que gela, que sofre e que por momentos sai de órbita. Esqueceu-se como andar, como se portar.
O que é certo parece ser o pior dos enganos. Pois a vida vai passando e a distância só aumenta. Doce essência que destrói, que constrói e que faz ela se perder. A arte que um dia quis ser, agora é dúvida. A mais bela rosa do jardim foi arrancada e os ferimentos que os espinhos deixaram, serão difíceis de cicatrizar.
Tudo parece ser tão certo, mas nem ela entende tamanha certeza. Seu coração ainda é calma, mas algo em sua alma a fez chorar. Acredito que precisará de muitos dias, talvez anos para entender essa “quase” ou verdadeira dor. Lágrimas lançadas na doçura e calmaria das águas, que fingem tranquilidade para conseguirem se sustentar.
Como entender um ser artista que tanto se entrega e se livra do apego com o ar, com o mar, com a vida? Há tanta doçura e poesia que ela se sente perdida, sufocada e por amor busca o “querer” de sua entrega, busca por este mesmo amor, ser roubada, sequestrada, encarcerada e jamais encontrada por outro alguém que não seja ele...
A arte não conseguiu entender a chegada e a partida. Nem os maiores dos artistas conseguiram fragmentar, deformar e entender este estado de coragem e covardia em que ela se rendia, mesmo quando tentava fugir. Pouco tempo para tanto tempo querendo estar, simplesmente estar. Pareceu uma vida perdida, os segundos sem encontros. Ela não quer viver o adeus, prefere a presença, o presente, o poder.
Já quase próximo de tudo vir a ser passado, ela sofre as escondidas e revela um sorriso, um doce riso, sem vontade de ser feliz. Tudo ao redor passa, o passado passa mais de uma vez e essa história passará, mas a arte é um bloco de gelo, há de fazer parar, só não se sabe quando. O momento que a presenteia será o ladrão de segundos mais tarde, será uma dor de verdade que a transformará num abismo sem fim.
Ele pode pensar que não seja verdade, que seja apenas vaidade, mas quem sabe o que se vive por cá? Quem sabe o que se quis saber? Como se quis amar? Não há como entender o por que da alma, não há como saber... não há o que saber. Apenas sentir o momento da despedida, a dor da partida, um dia que ela não conseguiu viver. Um dia que fique na esperança do reencontro.

por Brenda Oliveira.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Canção das borboletas

Imagem: İzinsiz Gösteri6

Sinto uma ligeira dor no peito, um breve arrepio nos pelos, com a doce sensação que irei voar. Eu andei por todo o dia amando o que não existia, para ter a emoção de navegar num mar (não me limitei às águas, é claro). Naveguei pelas brechas que o ar deixava. Naveguei na imperfeição da calma. Eu naveguei.
Fui ao encontro das asas, que um dia desses eu perdi. Eu corria e quase que instintivamente, subia, me colocando entre as nuvens no azul de um dia. Querendo que a noite se revelasse e me deixasse descansar em paz. Como se a dureza da vida fosse esquecida e eu, simplesmente, bailasse na brisa que me confundia, em ser “eu” ou ser “mar”.
As asas foram rasgando minha alma, até que atingissem e sangrassem a pele, beirando meu coração. Neste momento a batida foi outra. A canção ficou rouca e a borboleta, por um momento, esqueceu-se de voar. Mas ela ainda assim, bailava nas asas pintadas de sangue e marfim, canções de sonhos que nunca quis que tivessem fim. Canções de verdade, que vão além da arte de fazer brotar ventos e contentamentos.
No momento que a noite tentava me seduzir, eu me deixei ir, para tentar dançar a última canção. Os homens demoram 9 meses para nascer, lembrando que toda regra pode ser quebrada, mas a da borboleta não. Sua vida é uma precisão-imprecisa, aquela certeza-incerta de alçar voou, de perder as asas e ser esquecida numa possa d’água, como quem nunca soube voar. Sendo um ‘alguém’ que nunca voou.


 por Brenda Oliveira.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

[ANTECIPO-ME]


“E na estrada esplendente do futuro”...

Penso por tantas vezes que eu procurei uma palavra certa. Viver à risca o risco de viver. Entendendo que a natureza humana é réu num crime inocente. Culpada, na morte de quem não matou. Penalizada por viver esperando a esperança se concretizar.
Estar numa batalha tão brutal, faz dessa cidade inóspita um latente habitat, que por anos é esquecimento frente ao poder público. Estamos a 47 anos sufocados. Entre uma média de mortes e massacres escondidos por essa oligarquia, pelo império de facínoras enraizados no nosso Maranhão.
Temo que em poucos meses, dias ou segundos a menina, Ana, assassinada; os ônibus que foram queimados; as pessoas que não saiam de suas casas, sejam esquecidas. E tudo não passe de mais uma lenda, como a da nossa “serpente” que dorme. Serpente que não teve e continua não tendo direito á educação, a saneamento básico e ao voto secreto.
Acho que devemos trabalhar num sistema de troca com o governo: “quantas lagostas por um verdadeiro investimento educacional, por exemplo?? Hã?! Quantas, entre tantas outras barbaridades teremos que gritar para o Brasil, na tentativa desesperada por liberdade? Ei. Ainda não, espero que até o final deste texto estejamos conscientes desta realidade que muito nos assombra. Ela sempre nos assombrou.
Presos. Presos, somos todos nós, o que difere-nos dos "presos tradicionais" é o presídio em que estamos e pelo fato de não termos crime algum, a não ser o da busca por um Estado, verdadeiramente, brasileiro, vivo e inserido nas cores e no sangue verde-amarelo. Estamos mortos? Talvez sim. Mais de 60 mortes já aconteceram nas penitenciarias maranhenses. Ergástulo que foi deixado de lado. A muito que não são sinônimos de reabilitação. Quem entra, sai pior, ou nem precisa sair para acabar consigo e com tantos outros “soltos” e sonhadores.
É. Meus caros, 2014 “chegou, chegando”, mas infelizmente, da pior maneira possível. Mas calma... teremos “130 milhões” para reestruturar os presídios do Maranhão... Será? Será que é só isso que precisamos? Enquanto isso... somos ninados, colocam-nos para dormir. O gigante dormirá até quando? Essa serpente continuará sendo só lenda?
A presidenta está ciente de tudo que se passa aqui, mas quem liga pra isso? Não adianta saber e fazer pouco caso. Saber e cuspir na nossa cara, pois só quem vive aqui sabe o que foi, o que está sendo e o que será o Maranhão, se tudo continuar caminhando conforme esta fúnebre canção, que não cansa de soar...

“Salve Pátria, Pátria amada.
Maranhão, Maranhão, berço de heróis”.

por Brenda Oliveira.



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Cotidiano-incomum

Caminhando por uns dias me deparei com questões fundamentais para o cotidiano. Como amar mais? Como ser tolerante? Como ser tão generoso ao ponto de doar a própria vida? Já nem sei em quantos “COMO” e “PORQUÊS” me recordei esta noite.  Penso que essa ideia de novo ano está mexendo comigo.  Acho que o natal está querendo ser algo a mais...
Casas enfeitadas, janelas iluminadas, presentes comprados, mas uma vida bagunçada. Assim que vejo as casas ao caminhar pelas ruas ou pelo menos imagino que a grande maioria assim seja, infelizmente. Não entendo como podemos viver por tantos anos, praticando os mesmo “rituais” e mesmo assim vivendo-os em vão. Acabamos não colocando o verdadeiro sentido nisso tudo.
Todo ano vivemos as mesmas coisas, temos tudo marcadinho, um calendário perfeito para quem tem preguiça de fazer sua história acontecer. Dia da árvore, dia do índio, dia da independência, que não sei para quê comemoramos, pois não somos independentes, isso é fato. Engana-nos a história com essa afirmativa. Temos dia para tudo, menos para fazermos o que queremos. E tantos outros dias que criamos para suprir...só não sei ainda qual necessidade.
Agora o Natal, mas que natal? Dos presentes e das roupas novas? Ou o natal para uma nova vida, um renascimento, um nascimento daquele que tanto amou? É vão-se embora as palhas e ficam apenas o ouro... Estamos sem um verdadeiro pedido. Vamos comemorar um aniversário de um desconhecido, pois muitos de nós não nos importamos em conhecê-lo. Natal apenas por ser natal? Natal do papai Noel? Espero que não caiamos nesse engano...
O Novo ano se aproxima e o que vamos querer para ele? Acredito que tudo que queremos e prometemos sempre esquecemos de cumprir, de correr atrás. Quanta espera por fogos de artifícios... que não passarão em segundos, de luz para fumaça. “Todos de branco, querendo paz”, mas fazemos guerra em casa por um pedaço do nosso doce que comeram sem “permissão”.
Que a música comece a tocar, que o frango seja posto a mesa, pois quem me obrigará a comprar um peru. Quero ser a diferença. Não quero uma arvore de natal, quero o verdadeiro Ser essência. Quero abraços empacotados em belas caixas para presente, quero sorrisos novos, amor de sobra e a alma solta pelo mundo afora. É. Esse ano já escrevi bastante, eis o momento da despedida, mais um natal acontece. Um novo ano há de aparecer. Espero que nossas vidas sejam diferentes no ano que vem.
Curtamos os últimos dias, por que os primeiros do novo ano já estão chegando. Vivamos sem pressa, mas vivamos tudo de uma vez... devagar. Desejo tudo de bom. Todas as energias boas. Voltarei com novas postagens dia 03.02.14......abraços!!
Evoé!!!!

por Brenda Oliveira.