Imagem:
Cena do curta de
animação: Meu Medo- Direção Murilo Hauser.
Há um grande
medo de se ter esquecido, de ter ainda medo, de ter medo de tudo, de manter o
medo do que já foi medo um dia, do que como uma maresia, nos fez arrepiar. Sei
que esse medo que nos perde é recíproco. O medo também teme que tenham medo
dele. Muitos de nós temos. E o medo caminha só e perdido. Ele é sempre “o
rejeitado”.
Sei que toda
manhã temos medo, medo que se confunde com preguiça. “Preguiça” de abrir os olhos,
de levantar, de viver. Esse medo que se fantasia, consegue por alguns minutos,
ser curtido e gostosamente, saboreado. O medo é como o chão frio que nos toca
ao amanhecer. Ele é a ducha fria, que refresca nossa pele quente fazendo-nos
retroceder.
Eu não entendo para que tanto
medo...
Precisamos do
medo da morte, mas esse eu não tenho. Tenho o medo da perda. Medo da solidão.
Medo da prisão da vida. Tenho o medo de que um dia a vida acabe sendo perfeita
demais e não me sobre espaço para ter medo. Procuramos a perfeição, mas temos
medo de sermos perfeitos. Medo de sermos completos, de estarmos no controle.
Tememos sermos os heróis. Não queremos o sacrifício.
Entendo que a
profundidade e complexidade do medo, é uma teoria nunca estudada, nem gerada.
Sei que o nada é um medo profundo. O tudo, um medo carente. A vida, um medo que
falece a todo instante. É como se o medo tivesse anseio em sentir medo, mas
ninguém permite que isso aconteça. Todos querem ter medo primeiro. Somos um
tanto egoístas e o mundo não nos oferece um antídoto contra esta “droga”.
Só que eu gosto
de ter medo. De querer ir e ele me frear. Não querer e o medo da solidão me
entusiasmar. É gostoso se jogar deste precipício. Nadar nessas águas, vivendo
as aventuras humanas de “ser”. Voando na brisa que embala a alma e nos aflige
por não estarmos no controle. É imensa a agonia que sinto quando estou na
direção, mas perfeito o medo de seguir na contramão, remando contra a maré,
quebrando as linhas da costura.
por
Brenda Oliveira.

Nenhum comentário:
Postar um comentário