segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Medo

Imagem:
Cena do curta de animação: Meu Medo- Direção Murilo Hauser.

Há um grande medo de se ter esquecido, de ter ainda medo, de ter medo de tudo, de manter o medo do que já foi medo um dia, do que como uma maresia, nos fez arrepiar. Sei que esse medo que nos perde é recíproco. O medo também teme que tenham medo dele. Muitos de nós temos. E o medo caminha só e perdido. Ele é sempre “o rejeitado”.
Sei que toda manhã temos medo, medo que se confunde com preguiça. “Preguiça” de abrir os olhos, de levantar, de viver. Esse medo que se fantasia, consegue por alguns minutos, ser curtido e gostosamente, saboreado. O medo é como o chão frio que nos toca ao amanhecer. Ele é a ducha fria, que refresca nossa pele quente fazendo-nos retroceder.
Eu não entendo para que tanto medo...
Precisamos do medo da morte, mas esse eu não tenho. Tenho o medo da perda. Medo da solidão. Medo da prisão da vida. Tenho o medo de que um dia a vida acabe sendo perfeita demais e não me sobre espaço para ter medo. Procuramos a perfeição, mas temos medo de sermos perfeitos. Medo de sermos completos, de estarmos no controle. Tememos sermos os heróis. Não queremos o sacrifício.
Entendo que a profundidade e complexidade do medo, é uma teoria nunca estudada, nem gerada. Sei que o nada é um medo profundo. O tudo, um medo carente. A vida, um medo que falece a todo instante. É como se o medo tivesse anseio em sentir medo, mas ninguém permite que isso aconteça. Todos querem ter medo primeiro. Somos um tanto egoístas e o mundo não nos oferece um antídoto contra esta “droga”.
Só que eu gosto de ter medo. De querer ir e ele me frear. Não querer e o medo da solidão me entusiasmar. É gostoso se jogar deste precipício. Nadar nessas águas, vivendo as aventuras humanas de “ser”. Voando na brisa que embala a alma e nos aflige por não estarmos no controle. É imensa a agonia que sinto quando estou na direção, mas perfeito o medo de seguir na contramão, remando contra a maré, quebrando as linhas da costura.
por Brenda Oliveira.


Nenhum comentário:

Postar um comentário