sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Passo...

Quase sempre penso
Que pensar é um retardo
Um retrocesso que me conforta em fatos
Que quase nunca os narro
Que quase sempre são perdão.

Eu penso
Que quem pensa nada faz.
Aquele que grita se desfaz
E o que achava que pensou fez pouco
Matéria rasa, objeto impessoal de um caso torto.

Ela pensa que pensar é humano
Somos a humanidade por um engano
Um homem mortal que com o tempo
Faz-nos acreditar que num porvir
Faz-nos mentir e ir

Pensamento que passa
Passado que empossa
Há quem possa um dia possuir
Um passado possesso, preso e com raiz.
Uma alma alada que “passaefica”

Uma passada larga
Uma vista rasa de um adeus sem fim
Que transforma a frase em oração
Uma simples palavra virando um objeto indispensável de ligação.

O que são palavras neste passado?
É estar doente, passando mal
Passando bem, passando sem
Sem nada a declarar
Sem um vazio a preencher

Vozes passando por mim
Transmitem o que há
Passando de geração em geração o que fiz aqui
Agora numa jazida gelada de mármore branco
Silencioso e profano passa

A palavra passa
O passado passa
Teu passo que permanece
O teu pensar me enaltece
Mas sinto um drama passeando em mim, sinto que penso.

Sinto ter dor
Sinto o longe e o perto
O direto e o indireto
Do pensamento que ainda nem fiz
Mas que um dia virá.

Por BRENDA OLIVEIRA.





domingo, 28 de julho de 2013

Dizer NADA.


Só quero tua essência.
Só quero a pureza, que em você não vejo mais.
Quero de volta a tua gentileza.

Quero conseguir tocar tua alma
E sentir a beleza que você desfigurou.

Quero em teu rosto sofrido
Poder ver teu sorriso
Voltar a ser feliz

Quero como urgência
Nada de paciência
Ter a decência de ti dizer...
...que pena: esqueci.

Brenda Oliveira.
"Viva a Arte, que faz-nos sentir o que é ter uma alma...que nos transporta por instantes para o mundo onde o tudo pode ser o nada, sendo o nada tão precioso que não conseguimos chegar até ele. Ele é o tudo de todos nós." (Brenda Oliveira)
"Só quero minha metade de volta... eu me perdi." (Brenda Oliveira)

(NÃO)


(não)Tenho saudade da saudade que eu sentia.
(não)Quero voltar a querer aquilo que eu quis um dia.
(não)Quero acordar da minha vida. Buscar os sonhos perdidos. Perigos. Sentido. Sozinha. 

Brenda Oliveira da Costa.

Só um toque

Quanta importância em não trairmos a nós mesmos.

Se há algo que deveria fazer-nos sentir dor assim não fizer,
 algo em breve sairá de nosso controle.

O olhar é a essência e transmissão de vida, força e verdade.

Preciso acreditar que a dor é real, mas superável.

Acreditando que dela surgirá o que é mágico e delicado: UMA LÁGRIMA.

Preciso perceber no outro a dor que há em mim, para assim, dançar e depois sorrir.

Sorrindo num propósito sem fim, uma finitude de risos.

Um sentimento é um sentido que por vezes não entendo,
Se entendo, traio.

Por Brenda Oliveira.

Alma


Como um descanso
Eu canso.
Uma fortuna a fluir.
Teu desejo sem vir.
Um querer audaz.

Toda magia perdida, dissolvida em mãos tão vis.
Cabelos que caem que se põem
Tudo se entende
Tudo é confuso
Sentir o presente já é passado, logo seca

Um frio que me cerca
Teu calor que sufoca
Só vejo as amarras, não vejo cordas
Um terror fascinante
Tendo um brilho improvável

Um olhar vazio
Sempre num suspiro perdido
Quando tudo parece estar demais
Ele já não se sente
Sua dor é tão doente


Meus sentidos falecidos
Agora mortos percorrem o não destino
Não há caminho
Eu sinto
Eu vivo

O que choro é o que tu és
O que amo, é ele todo
Mas do todo, só vejo as partes
Só uma sombra do que me parece ilusão
É prisão que liberta

Solta, tua doçura é furacão
Teu silêncio um grito maldito
Um anjo em ascensão
A minha segurança na tua incerteza
Tua clareza na escuridão

Sempre vejo, nunca percebo
O que desejo é ser por inteiro
Como tu sabes ser
Sem perder, só a ganhar
Pensando o que és



Quando acho que estás só
Acordo com medo
Temo que volte forte demais
E se esqueça que um dia fui capaz
De te deixar ir.



por Brenda Oliveira.