Mesmo
vendo o sangue riscar a neve, ela ainda ousou dizer que conseguia voar. Mesmo
quando na agonia o perdia, ela respirava e afirmava que conseguiria voar, mesmo
sem asas, sozinha e sem calma. Ela desejava voar. As asas são símbolos de uma
história sonhada, tão querida por ela. Asas que apesar de serem abstratas permitem-na
sair do lugar, sem ter hora pra chegar, sem dar explicação.
Poetizar
o mar foi o que ela fez naquela noite, ao observar a força, a doçura e a música
que impulsionavam aquelas águas, numa dança de dor e alegria, de desespero e
fantasia, fazendo-a se entregar, sem ter a tal hora pra chegar, sem querer
tocar o chão, voltando sem um pedaço de si, pois alguma coisa tão profunda e
amável ele deve ter roubado aquela noite. Algo sobre um sonho, um olhar, um
futuro do presente, vivido num pretérito mais-que-perfeito.
Quão
lindo os olhos negros da noite, e quão doces os lábios do vento tocando os
seus. Deve ter sido quente sentir a água do mar nadando em seu corpo, fazendo-o
arrepiar. Foi estranho assim tentar amar. Foi difícil aceitar a diferença, mas
a paixão que a ela cerca foi além do real, foi como algo nada natural, mesmo
sendo o casamento de duas naturezas intensas e livres na beira mar. Foi como
nadar e se perder dentro de si... nadar sem respirar, pois o tempo não poderia
ser desperdiçado, as asas estavam cansando e o amor só começando.
Pousar,
isso ela já não conseguia mais, estava anestesiada, dopada pela paisagem
perfeita que esconde durante o dia grande parte do seu romance, de sua poesia.
As ondas sem direção a faziam querer perder os sentidos, faziam querer buscar o
abismo e se tornar vento junto aquela imensidão, que por segundos é mansa e por
milésimos de segundos é forte o suficiente para ferir seu coração, retirando
aquele líquido vermelho que ele deixou cair em uma neve qualquer, num dia sem
sol.
“Até
que a morte os separe”, foi só o que ela ainda conseguiu escutar. A dor já era
intensa demais e o final daquele corredor adornado com rosas vermelhas já
estava acabando e ela se aproximando dele, até que subitamente um grito foi
escutado e aquela fada branca e brilhante que caminhava caiu ao chão e se fez
morte e se fez a causa da separação.
por
Brenda Oliveira
Triste esse conto. Cheio de poesia... E doce.
ResponderExcluirObrigada moça...volte sempre!!
ResponderExcluirlinda mensagem. que o senhor continue abençoando esse dom....
ResponderExcluirObrigada flor... Amém!!!
ResponderExcluirAté a próxima NOTA!!! Beijos!!!