Às
vezes penso que o que falo não é consentido pelo que há em meu coração. Eu me
lembro de uma noite, de uma pessoa, de um momento. Lembro-me de uma parada, que
talvez para ele tenha caído no esquecimento, mas como entender isso em mim?! Eu
sei que uma coisa eu disse, mas confusa eu sempre estive, agora já sei quem
sou.
Lembro...
de um movimento, leve, suave. Lembro-me de um lenço. Lembro-me da brincadeira
com uma doce menina na porta da dança, eu me lembro. Lembro-me do seu sorriso,
do seu olhar, da sua brincadeira de dança, eu bem me lembro. Eu até tentei
esquecer, mas sinceramente nunca entendi o que se passou por nós, nunca entendi
tamanha vontade de estar perto, de não dizer o temido adeus.
Mas
mesmo assim, ainda lembro. Lembro-me de diversas manhãs, por uma semana, eu
lembro. Lembro-me de uma noite que não saiu como planejado (risos), eu lembro. Lembro-me
de você na porta do quarto. Lembro-me da minha timidez. Lembro-me do tocar dos
tambores e sinceramente, espero que não tenham sido pela ultima vez. Lembro-me
da sua curiosidade, verdadeira ou só para manter uma constante no diálogo. Lembro-me
do seu olhar, ah! Eu lembro.
Sempre
me lembro do samba. Sempre me lembro da partida, de um sofrimento não entendido
por mim. Espero que não me entendas mal, espero que bem entendas o que digo. Lembro-me
da nossa dança. Lembro-me das risadas dos amigos por isso, eu bem
lembro. Lembro-me de você meio sem jeito, um tanto tímido, eu lembro.
Agora,
vem o que tanto lembro e o que não consigo esquecer... Lembro-me dos olhos nos
olhos, de um breve silêncio, com segundos quase eternos, de um mundo pequeno
para nós dois. Lembro-me de ter que ir embora. Lembro e ainda sinto o seu
abraço. Sinto. Sinto em ter te deixado, em não ter ficado, em ter simplesmente
ido.
Não
esqueço as palavras, sempre tão bem descritivas, de momentos que você viveu e
quis compartilhar. Eu não me esqueci do encontro, da espera pelo reencontro.
Não esqueço as risadas, as opiniões sobre o teatro. Lembro-me das ruas, das
caminhadas. Lembro-me do desvio, de uma lomba?!, eu bem lembro. Só que não
quero que tudo isso fique no passado. Não quero pensar que não mais reviverei
isso tudo. Não quero pensar que talvez você já tenha esquecido o caminho e as
ruas tenham mudado de lugar.
Só
espero que tudo tenha sempre a mesma verdade do primeiro olhar, a mesma verdade
encontrada naqueles olhos, no momento da partida. Só quero que sempre tenha a
verdade, nunca vaidade e nem idealização. Que apenas sejamos, façamos... e
vivamos sendo. Simplesmente sendo um homem e uma mulher que esperam por um belo
reencontro, seja ele para as palavras, para os olhos ou para as sensações por inteiro.
Acredito
que tudo isso, ainda é nada. Que o nada é apenas um pouco do tudo que tentei
começar a sentir. Que o tudo é metade quando as distâncias dão-se as mãos.
por
Brenda Oliveira.
ISSO MOÇA!!! A lembrança e a espera sempre estão interligadas, gostei dessa história, lembrar e só lembrar, romantizar as lembranças é transformar uma memória em poesia. Sabe de uma coisa... parece uma história que ouvi um dia... Em que no final a moça e o rapaz se reencontravam e se amavam, o rapaz ensinava a moça a ser livre como nunca foi antes, a moça ensinava o rapaz sobre sentimentos e poesias, e os dois eram felizes enquanto tinham o que se ensinarem e aprenderem. Legal esse final né? Dizem que a arte imita a vida e depois a vida imita arte! Bela arte a desse texto!
ResponderExcluirEita nega!!! Quanta honra em tê-la de volta por minhas NOTAS. E é verdade, nada melhor que romantizar as lembranças, ajuda-nos a esquecer as dores e procurar sempre viver mais amores. Linda essa sua historia...é lindo saber que a arte imita a vida e a vida imita a arte...espero que a minha vida sempre imite a poesia!!!
ResponderExcluirObgda pelo comentário, estava com saudade de ler suas belas palavras!!