imagem do filme: "A pele que habito"
Chegou o
momento da total nostalgia, por uma folia que se foi.
Momento de encarar as agonias e sentir aquele toque na ferida por uma realidade
que em nada se modificou. Nada de revolução e nada de investigação. Momento que
a justiça além de cega e surda, fica louca. Momento que somos anestesiados pela
vontade de sermos felizes.
Encaramos um
carnaval com pouca roupa e muito riso, para depois encararmos a dura realidade
de estarmos, de fato, despidos frente ao nosso desejo de mudança. “Brasil, país
da liberdade”... ainda não vejo em que fantasia ela esta, e sinceramente acho
que ela nunca foi convidada a pular, em qualquer que seja, o bloco de carnaval.
Acho que ela preferiu ficar em casa para tentar ver “a banda passar/ cantando
coisas de amor”. Temo essa certeza da falta do amor...
Mas olho ruas
lotadas... ruas vazias... ruas enxutas, outras molhadas, ensanguentadas...
cortadas... feridas... aprisionadas...e me pergunto: “Isso é carnaval? Onde
foram parar as belezas das escolas de samba? A brincadeira na sutileza da dança?”
Penso que estão vestidas de outros personagens, tomaram posse de uma outra
vida. Esqueceram-se o caminho de volta.
Olha a “madre
deus”... hoje de mãe só o nome. Os filhos morrendo de fome e quando vão para
esse antigo bairro, esquecem-se quem são, perdem a noção... jogam pedras e
escondem as mãos... A mãe que por tantos anos nos acolheu em suas ruas, hoje
nos expulsa, não sei se é por proteção, só sei que está ficando difícil ser um
folião ou cidadão, tanto faz...
O meu carnaval
passou...o meu vazio cresceu...e só agora eu visto a pele que a pouco havia
tirado, para costurar e colar os pedaços que eu mesma estraguei, não enfeitei.
Eu deixei que muitos não ouvissem a muda voz do meu grito, do nosso hino que um
dia eu cantei... mas 'não interessa', foi CARNAVAL! E acredito que ainda será por
longos dias, meses e até anos, não um carnaval de “folia”, mas de agonias, de
hipocrisias.
Vistamos as
roupas, pois é hora do riso cessar....chegamos no exato momento de
“carnavalizar”....vamos? Os espetáculos já estão começando... não podemos atrasar.
por
Brenda Oliveira.

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