Foto: İzinsiz Gösteri
Lembro como se
fosse hoje, meu primeiro dia na sua ausência. Fiquei só contemplando a tua
essência que se partia. Contando as horas de todos os meus dias, esperando que
voltasse. Até cheguei a acreditar em milagres. Mas ainda acho que um dia você
voltará, ou talvez, será apenas mais uma lembrança, pois muitos se vão todos
dias, sem despedidas, sem adeus.
Eu cheguei a
sentir uma dor inexplicável. Só quem foi mãe sabe o que digo, quando se perdi
algo. Só elas sabem o que sinto quando vejo essa cadeira vazia, nesse dia tão
comprido, que insiste em não me presentear com seu adeus.
Minha vida anda
sem sentindo, eu me perco no silêncio dos outros que temem em me dar a mão. Me
perco em meio a tanta dor. É sempre tão estranho, pois com o passar dos anos,
ainda não me acostumei com essa tua ausência continua, pois ainda guardo a sua
voz tão viva em canções que um dia fizeste pra mim.
Aí meu dia fica
engraçado, fica mudo, até que se torne um quadrinho em preto e branco, onde só
eu tenho a capacidade de colorir ou excluir de dentro de mim. Ninguém mais vê
você. Apenas eu.
Quando lembro
àquele dia de domingo, talvez pela manhã, tarde, noite, madrugada ou já era
além das 24h quando nos conhecemos. Você chorou. Eu me encantei por suas
lágrimas, mas jamais pensei que essas mesmas lágrimas levariam você de mim. Isso
tudo doeu mesmo. Você se mostrava quase perfeito. Agora és meu silêncio agudo
na escuridão.
Preciso ir, mas
essa passagem está demorando, já estou ficando impaciente. Já estou cansada
dessa vida tão cara, que me destrói aos pouquinhos. “Por favor, leve-me de uma
vez”. A impaciência é até gostosa de sentir de vez em quando, Mas até quando
irei esperar? Já não tenho forças para viver um outro amor. Acho que você secou,
quando o seu coração parou, o rio que me fazia amar.
Às vezes choro,
só que chorar me faz lembrar você. Às vezes sorrio, mas lembro dos dias felizes
que vivi com você, por isso cheguei a conclusão, de que não quero sentir nada
mais. Quero ver o dia passar e minha hora chegar.
Estou ficando
ansiosa agora. Esperei tanto por esse dia, quanta demora. Quero vê-lo de perto,
quero sentir teu cheiro, quero ver teu sorrido, pois dessa vez ele que me
seduzirá, será através dele que minha vida reviverá, em outros tempos, é claro.
Acho que...nem
sei dizer o que está acontecendo, só vejo além das formas. Estou entendendo o
mundo de uma outra forma. Estou voltando a amar. Estou a caminho de te encontrar.
É querido, o meu dia chegou, já posso até ouvir de novo a tua voz, mas ela não
está só na lembrança, ela agora é chama, é viva e voraz. Teu cheiro é tão doce,
quase que não reconheço. Você mudou. Você é outro, mas é o mesmo.
Agora vendo
onde eu estava percebo que deixamos as cadeiras vazias, agora não é só a sua, é
a minha também. Só que dessa vez ninguém vai sofrer, ninguém vai lembrar, pois a
minha vida era apenas você, que eu revivo agora, mesmo não vivendo mais.
Todos vão
apenas ver duas cadeiras, enquanto eu via uma história inteira ao seu lado e
sem você também. Agora nada mais são para mim, estou aqui. Vejo que o silêncio
agora é tão reconfortante e tão intrigante. “Para onde você vai? Você não deve
partir! Eu vim ficar com você! O que está acontecendo?”
Ah, eu não
entendo isso aqui, pensei que era o fim, mas você continua a se perder de mim.
Agora só vou chorar, por que sorrir me lembrará você. Agora sou eu só, sem
cadeiras, com lembranças e mais uma velha e nova perda.
Espero ainda
que volte. Espero ainda um dia te alcançar.
por
Brenda Oliveira.

Por um momento esqueci as cadeiras vazias e só vi o vazio das cadeiras, porque eu senti essa dor sem nunca tê-la sentida. Essa é essência de uma boa leitura, um autor que imagine tanto que nos leve a imaginar com ele, e eu imaginei a ponto de sentir junto com a personagem- narradora, mérito seu Brenda, parabéns pelo texto!
ResponderExcluirAdorei sua percepção, sua sensibilidade...Mais um belo comentário!! Obrigada nega!!!
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