Ela só queria
amar, mas o mundo a enganou, a recusou e a fez sofrer.
Ela só queria
poder, mas não foi, se podou e morreu.
Ela só queria
dizer que com três palavras não se escreve um livro, mas se consegue escrever
milhares de vidas.
Todos os dias
ela busca algo ou alguém, mas sempre se perde, ou se afoga e roga pedindo por
ninguém, querendo não prosseguir num caminho com o sentimento que ela não tem.
A cada
instante, que ela te encante, que ela cante e ame, mesmo assim não será feliz.
Mesmo que a ame, mesmo que inflame o amor em seu coração de meretriz. Ela é
fugaz, é dor, é anil.
Ela esboça
sofrimento, choro e prazer, que se espalha com o vento e te causa espanto, alento.
Talvez, por não
saber se ela viverá uma vida inteira. Mas como saber se a vida em que vivemos é
inteira? Ela é só metade, só vaidade, só tensão, só.
Solitária, mesmo
quando estás presente.
Perdida, mesmo
com um guia a esclarecer-te a mente.
Ela é uma
trilha não trilhada.
Um porão
escuro, cheio de nada.
Um livro que o
poeta não escreveu.
Ela só tem vida
quando ele a escolhe, quando a desenha e sopra em seu peito, confiando que um
milagre aconteça. Mas e quem não acredita em milagre? Ai é só rezar...
Rezar para ele
que a enganou por anos, que a fez se expor para um grande engano, pois ele nela
nunca existiu, nunca se formou, ninguém nunca viu.
Ele partiu e
levou todos os sonhos, todos os anos.
Quando ela se
senta à grade na janela, é pura poesia. Exalando um perfume de amora e de
fantasia, vendo as vidas passarem, um mundo que não para, ficar só.
Ela vai se
identificando com tudo e se perdendo dentro de si, se achando nele lá, e
dizendo que tudo o que viveu até aqui não se torna vida, só morte.
A morte é um
encanto, é um ladrão que chega em passos brandos, cheio de carinho, mas que
não te dá o perdão.
A escuridão a
pariu, a cuspiu e nem a viu, uma donzela, a chorar uma ilusão.
A viver sem
emoção, a vida plena que nem sempre cabe na nossa “caixa cênica”.
Com o olhar
distante ela vai sumindo, partindo da realidade que não cabe na sua
vontade de ser feliz.
por Brenda Oliveira.
Teu melhor texto. " Ela é só metade, só vaidade, só tensão, só." Poesia e loucura, sanidade e compasso, definitivamente o teu melhor texto.!
ResponderExcluirObrigada nega!!!
ResponderExcluirLindo!!!
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