quinta-feira, 9 de maio de 2013

Imaginação- protocolo elaborado a partir da disciplina "Pratica de Criação Dramática"


por Brenda Oliveira

“O mundo é uma foto em processo, somos um registro visual de algo que queremos ser ou que buscamos combater em nós e no mundo.” (Brenda Oliveira)

O conhecimento de nosso corpo, corpo constituído de ossos, músculos e articulações e corpo social, político, é essencial, pois ele é a nossa fonte de som e movimento. Como afirma Boal, pois:
“[...] deve-se primeiramente conhecer o próprio corpo, para poder depois torna-lo mais expressivo [...], deixando (o espectador) de ser objetivo e passando a ser sujeito, convertendo-se de testemunha em protagonista.” (BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido e outas poéticas. p 131).

Trabalhar o consciente guardado em nós, ou seja, nossos registros memoriais, através de fotos em “alto-relevo” (feito com os próprios indivíduos que contribuíram com seus depoimentos), é o que gera uma consciência real da opressão que a muito vivemos e calamos. Essa forma de fazer teatro foi a qual nos apropriamos em sala de aula e a quem Boal intitulou de “Teatro- imagem”.
Começamos todo o processo com um aquecimento, para reconhecimento corporal, com enfoque nas articulações, brincamos uns com os outros, em um momento um indivíduo da dupla era como um escultor a esculpir sua obra, utilizando-se das suas articulações e assim depois o outro tomava a forma de escultor. Fizemos esta dinâmica primeiramente parada, depois em movimentação por toda a sala de aula, utilizamos dela para gerar uma desconstrução corporal, como bem indica Boal, para que todo o corpo seja reconhecido em meio as suas dificuldades, traumas, possibilidades de recuperação.
Logo em seguida aplicamos o teatro- imagem com o objetivo de deixar que um indivíduo fale através do grupo, em forma de imagens, este mantem- se como um escultor a esculpir uma imagem, não podendo usar a fala, apenas expressões faciais sobre qual a forma do rosto o indivíduo- escultura deve fazer.
Em sala, dividimo-nos em quatro grupos, cada grupo, entre si, discutiram assuntos polêmicos ou, até mesmo, não levados em questão por uma grande massa da sociedade, após esta discussão, cada grupo evidenciou o seu tema, através de uma “cena”, única e estática (imagem). Primeiramente ninguém do grupo pode falar nada a respeito do assunto, apenas deixar que os corpos estáticos falassem. Os alunos que apreciam a forma da imagem começam a expor suas ideias sobre qual seria o tema, mesmo que errem o grupo- imagem ainda não interfere.
Depois de um grande debate é que os compositores da “cena” dizem qual foi o assunto e assim, todos juntos, referindo-me a todos os outros três grupos, com suas ideias, formam uma nova imagem, isso se não acharem plausível e coerente com o tema à imagem anterior.
O grande objetivo é:
“[...] chegar a um conjunto modelo que, na opinião geral, seja a concreção escultural do tema dado, isto é: este modelo é a representação física deste tema!” (BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido e outras poéticas. p 144.)

Conseguimos observar que em muitos momentos buscamos o mesmo ideal em meio a questões sociais, mas por imaginarmos soluções diferentes, acabamos andando em círculos e não solucionando. Devemos parar e perceber que o que realmente importa não é a forma que a solução deve ter (voltando para as imagens), mas sim a solução que irá acontecer e que beneficiará a todos. Precisamos de indivíduos que tomem iniciativa, a ação é um grande progresso. Ter atitude é essencial. Parto de Boal quando assim me coloco:

“Não diga o que pensa: venha e mostre.” (BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido e outras poéticas. p 145.)




Um comentário: