terça-feira, 28 de maio de 2013

A BAILARINA TORTA- Do corpo natural para um corpo que sente e se expressa.



  

Do corpo natural através do caminhar para um corpo que sente e se expressa a partir de suas experiências e memória corporal.

A partir de movimentos simples como: torção e extensão, que parti para a criação da minha partitura corporal, na aula de Expressão Corporal, com o profº Leônidas Portella, docente da Universidade Federal do Maranhão- UFMA.
Tivemos muitos estímulos para esta criação. O próprio conhecimento de "como eu ando?" através dos sapatos deixados ao lado de fora da sala de dança, foi o princípio do nosso processo, o conhecimento anatômico é importante para se obter uma relação de exploração ainda maior do nosso corpo.
Ao escutar uma música, por exemplo, o corpo responde de maneira imediata, a um toque: toda ação a uma reação, sendo através destes meios, o meu encontro com esta forma de expressão: esta partitura corporal.
Quando partimos para uma criação coreográfica a partir de movimentos cotidianos, tiramos de nós uma essência extraordinária, onde, com o desenrolar do processo de criação, conseguimos perceber a novidade, particularidade de nossa expressão, de nossa coreografia.
A não preocupação com a estética do “belo” nos ajuda e faz-nos compreender que apenas o movimento importa, a minha reação a partir de um toque, da busca pela repetição orgânica do meu movimento, da interferência da música em minha partitura, em minha expressão.
A cada interferência nossas experiências fazem com que reajamos de uma maneira particular, mesmo quando o movimento que se esteja fazendo, seja uma reprodução/pura imitação, da construção do outro indivíduo.
Através do olhar de um colega de classe Fernando (Nando- idealizador do vídeo, de quem partiu o convite de fazê-lo), tive a oportunidade de explorar meus movimentos em diferentes lugares da Universidade Federal do Maranhão- UFMA, transmitindo através dele as sensações que os diferentes lugares me causavam. Tive uma ajuda muito grande quanto as mudanças bruscas do clima, ora sol ora chuva.
Como respondeu meu corpo em meio a ambientes não familiares? Como respondeu minha partitura corporal? Será que meus movimentos se mantiveram iguais, carregaram a mesma experiência?
Trabalhar em lugares ainda não explorados por mim antes, fez com que em cada um deles minha expressão corporal, já pré-definida, fosse novidade para mim mesma. Esta partitura em nenhum momento, desde o meu primeiro experimento em sala de aula, foi igual.
Em cada repetição um sentimento diferente, um movimento “velho/novo”, a cada segundo que passa nosso corpo, nosso organismo já não é o mesmo, a partitura inicialmente criada e aparentemente a mesma já modificou-se. Em cada lugar uma história a ser explorada. Uma dança a ser criada.
A consciência do movimento é de grande valia, saber o que se está fazendo, qual parte do corpo está se movendo, quais músculos, articulações estão sendo movimentadas, dão maior verdade em uma criação.
Cuidado sempre, pois esta consciência do corpo é que permiti-nos passar a verdade de nossas sensações e impressões corporais.

por Brenda Oliveira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário