Do corpo natural através do caminhar para um corpo que
sente e se expressa a partir de suas experiências e memória corporal.
A partir de movimentos simples
como: torção e extensão, que parti para a criação da minha partitura corporal,
na aula de Expressão Corporal, com o profº Leônidas Portella, docente da
Universidade Federal do Maranhão- UFMA.
Tivemos muitos estímulos para esta
criação. O próprio conhecimento de "como eu ando?" através dos
sapatos deixados ao lado de fora da sala de dança, foi o princípio do nosso
processo, o conhecimento anatômico é importante para se obter uma relação de
exploração ainda maior do nosso corpo.
Ao escutar uma música, por
exemplo, o corpo responde de maneira imediata, a um toque: toda ação a uma
reação, sendo através destes meios, o meu encontro com esta forma de expressão:
esta partitura corporal.
Quando partimos para uma criação
coreográfica a partir de movimentos cotidianos, tiramos de nós uma essência
extraordinária, onde, com o desenrolar do processo de criação, conseguimos
perceber a novidade, particularidade de nossa expressão, de nossa coreografia.
A não preocupação com a estética
do “belo” nos ajuda e faz-nos compreender que apenas o movimento importa, a
minha reação a partir de um toque, da busca pela repetição orgânica do meu
movimento, da interferência da música em minha partitura, em minha expressão.
A cada interferência nossas
experiências fazem com que reajamos de uma maneira particular, mesmo quando o
movimento que se esteja fazendo, seja uma reprodução/pura imitação, da
construção do outro indivíduo.
Através do olhar de um colega de
classe Fernando (Nando- idealizador do vídeo, de quem partiu o convite de
fazê-lo), tive a oportunidade de explorar meus movimentos em diferentes lugares
da Universidade Federal do Maranhão- UFMA, transmitindo através dele as
sensações que os diferentes lugares me causavam. Tive uma ajuda muito grande
quanto as mudanças bruscas do clima, ora sol ora chuva.
Como respondeu meu corpo em meio
a ambientes não familiares? Como respondeu minha partitura corporal? Será que
meus movimentos se mantiveram iguais, carregaram a mesma experiência?
Trabalhar em lugares ainda não
explorados por mim antes, fez com que em cada um deles minha expressão
corporal, já pré-definida, fosse novidade para mim mesma. Esta partitura em
nenhum momento, desde o meu primeiro experimento em sala de aula, foi igual.
Em cada repetição um sentimento
diferente, um movimento “velho/novo”, a cada segundo que passa nosso corpo,
nosso organismo já não é o mesmo, a partitura inicialmente criada e
aparentemente a mesma já modificou-se. Em cada lugar uma história a ser
explorada. Uma dança a ser criada.
A consciência do movimento é de
grande valia, saber o que se está fazendo, qual parte do corpo está se movendo,
quais músculos, articulações estão sendo movimentadas, dão maior verdade em uma
criação.
Cuidado sempre, pois esta
consciência do corpo é que permiti-nos passar a verdade de nossas sensações e
impressões corporais.
por Brenda Oliveira.
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