sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Acordei me desculpando

Hoje acordei com as vozes dos meus pais conversando e gargalhando no quintal e pensei: “que privilégio meu Deus”. Privilégio por tê-los pertinho de mim, mesmo sabendo que em algumas poucas horas eles iriam viajar e eu por alguns poucos dias ou até mesmo horas, ficaria sozinha, o que não é tão doloroso pra mim.
Ah...e eu também, depois de algumas horas abri meu instagram e vendo algumas fotos senti vontade de pedir desculpas pra mim, ou para os meus amigos, ou para o meu namorado, ou até mesmo para o mundo inteiro, tentando justificar o porquê de eu não ser o tipo de mulher super sexy que encontro por lá. Eu não sou assim, DESCULPA. DESCULPA por não andar tão maquiada, acho que a não maquiagem faz com que eu me sinta livre, pode até parecer loucura, por isso peço DESCULPAS.
DESCULPA se sou meio “torta”, se são as pequenas coisas que me fazem feliz... Se é um “bom dia, fique com Deus” ou um “boa noite, durma bem” que faz com que eu me sinta uma pessoa amada e cheia de carinhosos seres ao meu redor, DESCULPA. DESCULPA se meu conceito de atenção é outro. DESCULPA se sou uma mulher a moda antiga. DESCULPA se tenho fé e princípios a seguir, pelo simples fato de ser feliz no cumprimento deles, DESCULPA.
Pode parecer besteira, mas sinto que todos exigem de mim um pedido de DESCULPAS, por que não “sou assim”, não penso de “tal modo”. Sou feliz no que é simples, porque acredito que na minha vida tudo será diferente do que é com os outros, por acreditar no meu sonho de atriz, por pensar que as pessoas respeitam as outras e que sim, um dia, todos se colocarão no lugar um do outro, assim ninguém ferirá ninguém. Eis aqui minhas humildes DESCULPAS.
DESCULPA se não sei disfarçar quando o seu sorriso falso vem ao meu encontro. DESCULPA, se você acha que eu não sei o que você inventa sobre mim, DESCULPA. DESCULPA, por que eu tenho a consciência tranquila sobre meus atos. DESCULPA, se você não consegue ser feliz e tenta sufocar a felicidade dos outros, DESCULPA.
DESCULPAS eu também peço a mim, quando constato que contos de fadas não existem. DESCULPAS peço a mim, por amar sentir o cheiro das rosas sempre esquecendo que elas tem espinhos e que os mesmos podem um dia chegar a me ferir. DESCULPA, se pra mim as melhores fotografias estão guardadas na memória da minha alma, DESCULPA.
E mil DESCULPAS por estar pedindo DESCULPAS, isso foi apenas um conjunto de palavras que o silêncio, a calmaria e a minha alma queriam dizer. DESCULPA.


por Brenda Oliveira

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Panela DE’PRESSÃO
foto: brasilescola

Meses perdidos. Dias de desencontros. Uma solidão sem fim. Um pedaço de mim que foi arrancado ou roubado, ou eu simplesmente o comi. Por horas me sinto invadida, rasgada e ferida pelos olhares de alguém. Sinto-me sem sintomas, mas chagada, lastimada por algo que eu ainda nem sei de onde veio; qual a força e o tamanho que tem. Só sinto que a pressão vai aumentando e os gritos que eu vou soltando deixam de ser apenas sussurros e passam a machucar ouvidos, os meus ouvidos.
Sinto-me abafada pelas palavras que foram ditas, pela amizade perdida, pelo meu desejo sincero de viver, apenas viver e por isso ser culpada, presa e posta em cima da fogueira. Acredito por horas e horas que o gás que possibilitou que os fogos fossem lançados e que me fizeram queimar, baixaram por um tempo, a esperar por minha explosão que por fim não se deu, e que gerou a fome dos egos dos donos do fogo, que queriam me ver gritar e continuar parada, imóvel, padronizada.
O fogo que queima é o mesmo que parece me congelar, pois chega um momento que as dores não são mais sentidas, o grito é algo constante e a paz, por vezes perdida, é encontrada apenas nos sonhos, nos desejos de estar sobre a mesa, de gerar alegria, de fazer-me importante, de ter um sentido real de utilidade, de ser panela e não o receptáculo da pressão e muito menos um corpo disponível para a depressão da alma, da palma, do olhar.
Esse estado vazio costuma atormentar essa panela desde o despertar. Talvez ser panela já não tenha mais tanto sentido, já não seja a razão dos mais loucos vícios do viver. Talvez e somente o talvez seja a única certeza para que as novas tentativas já não sejam tão dolorosas e que os gritos gerados pela pressão sejam ouvidos e agridam os outros ouvidos e não somente os ouvidos dos dias dessa panela de’pressão.


por Brenda Oliveira

sábado, 26 de setembro de 2015

No olvidaremos jamás

Hoy 26 de septiembre se cumple un año sin sonrisas largas, sin miradas llenas de amor y presencia. Un año de la desaparición de 43 normalistas de Ayotzinapa.
¿Por qué me duele tanto? ¿Por qué duele tanto?
Yo vengo ofrecer mi corazón, mi cuerpo y mi voz si necesario. Sé que el dolor de los papás de los 43 normalistas no cesará y que sus corazones no se quedaran confortables hasta saber lo que ha pasado con sus hijos, dónde están, qué necesitan… Sé que sus corazones jamás descansaran en cuanto no tuvieren la oportunidad de ver la justicia acontecer.  El tiempo ha pasado, pero la lucha continua… ¡Porqué vivos los llevaron, vivos los queremos! Es una herida que no deja de sangrar, son ojos llenos de esperanza que inundan el tiempo que sólo pasa y nada cambia. Son memorias de sonrisas, abrazos y miradas que hasta hoy desean el reencuentro. Es un frío que duele mucho más por el vacío que existen en nuestras almas, sean de mexicanos o brasileños, somos seres humanos. ¡Somos #Ayotzinapa! ¡NO AL OLVIDO!
¡No callar! ¡No cansar de luchar….JAMÁS! Personas no pueden simplemente desaparecer….

Gracias a todos los artistas que prestaron su arte, su alma en este homenaje!!!

Brenda Oliveira

Soledad...

Esperar el momento correcto para seguir adelante es lo que más me ha atormentado últimamente. Un largo puente. Un grito. Una independencia que aún no existe. Yo me quedo en casa escuchando Caetano, comiendo huevos con pan, queso y tomando una copa de leche bien caliente. Esta es la vida de una mujer que tiene mucho miedo de la soledad, pero la soledad ya existe en su vida.
Correr atrás de los sueños puede parecer algo muy hermoso, poético, un verdadero acto de coraje, pero la realidad es un poco distinta. No es tan hermosa, y sí, un tanto poética, pero…  y sobre el coraje…  ese ya no existe, o mejor vive al nacer del día, pero muere siempre que se regresa a casa, porque solo ahí existe el encuentro frente al espejo y así se puede mirar a los propios ojos y ver quién es.
Frecuentemente miro la vida y no encuentro mi lugar, o lo encuentro y tengo miedo de seguirlo. ¿Dónde estoy? Yo siento que estoy caminando más adelante, pero no quiero con eso estar tan lejos de mí o de ti. Tan lejos de continuar lo que todavía no he vivido. De no llegar el día de elegir lo que quiero hacer por toda la vida. Soy artista, soy mujer, niña, soy la nada. Yo podría en este momento decir lo que no sé, pero no lo sé, entonces continuo así, viviendo entre sonrisas largas, miradas lejanas y toques insensibles. 
Todo me parece a mí un gran cuento de hadas, pero las hadas nada hacen por mí, no me ofrecen lindos regalos y tampoco realizan mis deseos. Estar perdida me parece un camino interesante, pues así las cosas ocurren, las personas aparecen en nuestras vidas, los amantes se enamoran a todo momento sin sentir culpa de sus actos, sin sentir culpa de amar a la vida, a alguien o a ti.
Sentir culpa es el mayor pecado que una persona puede cometer. Por eso no siento culpa de amar, de vivir, de llorar y sonreír. Pero siento la gran culpa de sentir tanto miedo de la vida, tanto miedo de hacer arte que es mí gran fuerza, mi mayor grito, mi mayor “yo”. Tengo miedo de descubrir hasta donde podré llegar. Tengo miedo de nunca entender quién soy, quizás  esto no sea necesario. El miedo es el gran combustible para que yo insista en querer vivir.


                                                                                                                                                 Brenda Oliveira

sábado, 18 de abril de 2015

Existem dias e dias. Um tempo

Cento e cinquenta e sete dias sem escrever são para mim, exatamente, dias sem muito sentido, sem carinho, sem encontros, sem ilusões, sem uma vida que faça de mim uma poeta como um dia quero chegar a ser. É isso, viver sem ter tempo para escrever o que a vida pode oferecer, me faz sofrer, chorar e pensar que nada voltará a ser como antes, não que estar cômoda seja o certo, mas sempre temos algo que não queremos que mude, morra ou se esqueça de nós.
Imagem: Oleg Oprisco
Nestes dias sinto muito frio, vejo muitas pessoas e não vejo ninguém. Sinto falta dos bons e velhos costumes brasileiros, mesmo estando encantada com as belezas mexicanas. Mas sabe quando nos sentimos sós, mesmo estando com muitas pessoas ao redor? Sim, isso é um tanto triste, é desolador... Eu sinto falta da minha família, falta dos amigos, não que eu tenha muitos, porque sei que não tenho, mas sinto falta dos poucos que conseguem me aceitar por completo, com defeitos e virtudes. E isso é todo o frio que sinto. Tem dias que congelo...
Tem dias que deixo de crer que, talvez, eu seja importante para alguém. Esqueço que a pessoa mais forte dentro de mim é a realista, pois existem dias que a única pessoa que consegue viver em mim é a que acredita em amores eternos, encontros completos e uma arte que liberta e não machuca a ninguém. É difícil não poder controlar a mim mesma. É difícil crer que comigo tudo vai ser diferente de como é com a maioria. É difícil acreditar que a vida é um ciclo se, justamente o lugar, o momento e o instante em que quero voltar, nunca chega.
Tem dias que o tempo custa passar. Há dias em que o tempo passa rápido demais e existem dias que eu queria parar esse tempo louco e dizer “cansei desta prisão”, pois me sinto podada dentro desta esfera temporal e lógica da vida. Tenho uma alma livre que pode até ser que busque uma prisão, mas ela será prisioneira por livre arbítrio. Atualmente ela é presidiária dos instantes fugazes, dos sorrisos recordados, dos amores vividos e dos sonhos que estão sendo construídos. Para viver a minha vida eu recomendo a quem queira: que veja a lua como o melhor dos amantes, o sol como o furor dos dias, o mar como se estivesse vendo sua própria alma e permitindo que ela se vá, ganhe o mundo e livremente seja tua. Preciso ser assim, porque congelar dói demais.

por Brenda Oliveira. 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

SINTO QUE AINDA ESTOU INCOMPLETA

Saudade das pessoas que passaram pela minha vida e levaram pedaços de mim e me montaram com pedacinhos seus. Recortes dos sorrisos, das manias, dos fatos conduzidos por estes “alguéns”. Eu admito que passei um bom tempo sem escrever. Passei um bom tempo dormente, eu não estava conseguindo montar o meu quebra-cabeça. Sinto que ainda estou incompleta, mas a vontade de ver em qual imagem me transformarei é bem maior.
Reparem que sempre procuro falar de sonhos, de amores, de flores e de saudades que tenho, que tive e que ainda vou ter, falo disso tudo porque no fim, muito não foi vivido por mim ainda. Meus sonhos nem sempre se concretizam, nem quando estou dormindo. Meus amores são sempre impossíveis, vão além do que o mundo real pode me oferecer. As minhas flores tem muitos espinhos e claro, algo tinha que ser real: a saudade.
Nos pedaços que fui deixando cair, caiu junto: a poesia que um dia eu tinha e por isso conseguia escrever. Temo que esse deserto continue e que o calor só dure pela manhã e durante a noite, quando eu mais pensar em sorrir, o frio me faça serenar e meu comportamento esteja restrito a leve tremedeira e a impossibilidade de caminhar, produzir, montar a mim mesma. Essas pessoas ajudaram a criar um ser ao qual não me identifico ou me identifico tanto a ponto de temer tal semelhança.
Eu perdi minha identidade, de fato, a normal que tiramos na secretaria de segurança pública, mas acredito que isso tenha sido um sinal, pois a minha identidade, cadê?! Cadê as curvas nos meus dedos, os riscos nas minhas palmas. Creio que tudo foi se desmanchando igualmente a minha paixão por mim. Ai pessoas... só as suas digitais que insistem em ficar, vocês gostam de me fazer chorar e por segundos acreditar que tudo vai dar certo e que a poesia que a tempos morria, ressuscitará.
Passos feridos em tempos de conflitos internos, externos, meus, seus, do mundo. Está a cada dia mais difícil entender os dias que não mais conseguirei ver tantos dentre aqueles que me marcaram. É difícil admitir que não consiga mais ver. É terrível não conseguir seguir os rastros e chegar ao réu culpado da minha desilusão. Mas é bom deixar claro que a juíza sou eu, e que o tribunal está um tanto sem ordem e que eu por negligencia estou deixando os culpados partirem sem necessidade de cumprir pena. E o que me resta? Ter pena de mim mesma!
por Brenda Oliveira

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

PARA: MIM

Sinto dizer, mas a mim é preferível o adeus...é preferível a porta fechada, sem janelas, nem válvulas de escape. Sinto dizer que a bolha estourou... É. Meu mundo caiu. Caiu de ladinho, de um jeitinho que até me fez bem. A verdade da vida é a poesia que ainda não consegui escrever, talvez nunca consiga, talvez seja uma aurora perdida de um dia que não vai nascer.
Mas acredite que as palavras nunca foram vazias e a fantasia insistia em manter-se viva mesmo apesar da descrença do alguém. Eu não gosto da paixão, insisto em não passar por ela, mesmo que isto seja inevitável. Só espero que as folhas sequem antes que meu coração transborde na loucura dos sonhos, na esperança da vida que se esgota a cada segundo que se vai.
Morrer. Seria tão difícil admitir esse desejo pagão? Seria certo amar para além da morte? Ou realmente ela tem o poder da separação? Só ela? Já não entendo a sua forma de ver os fatos. Já não quero ser um troféu na sua conquista desigual. Não quero olhar para vida e ver que ela passou e eu fiquei, mas nem sei por que digo isso. Viver sempre foi o meu melhor oficio e a vida sempre emprega alguém. Mesmo após demissões ela sempre me readmitia. Acho que sou boa de papo.
Sinto por um ultimo momento o desejo que tudo fosse mais fácil, que quem se sentisse um fracasso só pensasse em avançar e ser aquele que um dia se quis. Sinto por nossos sonhos desencontrados, nossas vidas que passaram, num passado que não vivi. É. É difícil admitir que eu não participo. Eu apenas assisto os seus sonhos e torço para que sejas feliz. Entendo que isso é tudo dentro do muito que queria expor, do nada que eu tenho para dar e de nada que eu queria que fosse.
Num susto eu vou me retirando, mas a câmera lenta esta ligada e meus movimentos vão sendo amarradas por uma força que não pertence a mim. Eu não consigo chegar à porta, eu já não vivo aqui.
por Brenda Oliveira.