segunda-feira, 30 de junho de 2014

Olhos que são de muitos. Olhos que são apenas meus. “OLHOS DE CAPITU”

Em alguns momentos da vida, sinto que meus olhos me roubam, me expõem, me entregam sem medo. Os meus olhos que nada percebem no físico, mas que enxergam as almas. Olhos que viajam e perfuram as paredes da razão. Olhos incansáveis de buscar entendimento no que ainda é apenas ilusão.
Esses são os mesmos olhos que compõem um corpo induzido brutalmente ao escultor mais moderno. Olhos que com o levantar dos cílios cantam canções eternas de romances nunca vividos, de carinhos perdidos, ou não. Olhos castanhos ou apenas dourados que brilham nas madrugadas eternas, perdidas entre os amantes e do perfeito e solitário ser-paixão.
Quando os meus olhos encontram outros olhos, o mundo perde o chão- razão sem solução. É como se a poesia ganhasse vida, a música fosse um corpo em ascensão, como se esses olhos vissem parte de desejos que não queria que existissem, por razões que só eu entendo. Vejo que a dança do coração, são as palavras ditas em confissão com o olhar fixo, porém perdido dentro de mim.
Se ainda não conseguimos perceber os outros, um fato é importante citar: Nossa visão está turva, as letras não compõem mais belas músicas e o poeta morre sem nunca chegar a amar. Os olhos gelados, secos e amargurados fazem da vida uma eterna sepultura. Covas nas faces, com brilhos perdidos e apelos esquecidos em tempos cheios de tantos “Não”.
Ainda existem olhos, que como uma criança perdida vê poesia onde há apenas a dor da partida, o adeus, o fim. Mesmo assim, os olhos ainda avançam sinais, dão gritos mortais na luta pela liberdade das mãos, pela soltura dos “Sins” disfarçados de ‘talvez’. São grandes luas perdidas pelos dias, vagando nas grutas que escondem os grandes e negros olhos roliços, verdes, amarelos ou até mesmo esquecidos, que preferem viver nas dores dos sonhos, dos encontros, dos ‘talvez’.
Podem até parecer maliciosos, mas são a doçura esquecida de outros olhos que não olhou. De olhos que mandam e desmandam. Olhos que não pedem, só exigem. Olhos que são peraltas, são perdidos na vida cercada de uma loucura sagrada, que às vezes vive enferma e teme não mirar a morte com o olhar e mais uma vez deixar, mesmo que sem querer, ser assaltada e colocada na prisão perpétua.
Pena de morte para aquele olhar que denuncia toda a pureza perdida, toda malícia não encontrada, toda história de vida de um povo que só soube olhar e poetizar através das lágrimas derramadas pelos olhos das almas e dos corpos tão sãos. Esses olhos são como grandes nuvens carregadas de fel ou apenas cheios de paixão. Olhos que são de muitos. Olhos que são apenas meus.

por Brenda Oliveira

segunda-feira, 2 de junho de 2014

"Sem título"


Temo por esta louca esperança de esperar. Tento ver o quanto o tempo pode me fazer acreditar que as ruas deixarão a vida passar sem cobrar pedágio. O mundo respira sonegação, falcatruas, desespero, vidinhas que não escutam o grito gritar, apenas vão deixando a vida levar.
O meu direito é um dever seu...isso até soa um pouco irônico, mas é fato comprovado, me desculpe a ousadia dos fatos. Essa vontade de fazer o que se quer me faz pensar em todas as vontades que me fazem não querer fazer algo, acho que pensar no que atrapalha talvez seja um bom caminho nesta estrada tão vaga.

Ainda não consegui entender tamanha arrogância e prepotência que sempre me sorteiam para escutar as palavras e observar atitudes desprezíveis...não sou lixeira... E ainda  não entendo como pode existir tanto sorriso num país tão perdido, que foge todo dia de mim e de você. Acredito que o Brasil ainda é uma pré colônia e penso que isso não se trata de algo bom. Só espero que não me entendam mal, o sorriso não é uma prisão para mim, é a liberdade que tentamos agarrar, mas ela evapora, ela é livre demais para ser minha ou sua. E sorrisos são as maiores expressões do desejo de nossas almas, por isso são tão insistentes em nosso povo.
Em todo o Brasil, nessa grande aldeia, o tempo não existe mais, está parado, censurado. E nós estamos indignados por um jogo que ainda nem aconteceu, o pior é que todos vamos torcer. Esta é a certeza mais incerta que tenho, será?! Eu já nem sei mais sobre o mundo, sobre o que é o amor, sobre um país que não mais se compadece de si, e se permite ficar na garagem esperando a passagem aumentar, para o seu tempo continuar e os nossos bolsos amordaçar.
Mas apenas peço coragem, a guerra apenas começou e os titulares já estão lesionados, os atacantes estão retardados e o goleiro apenas sabe gritar GOL, pena que esse sempre seja contra a nossa identidade, a nossa integridade, a nossa moral e a favor da hipocrisia disfarçada numa Esquentadinha, sem solução. “Mostra tua força Brasil”, amara o amor numa carreira, que a criançada inteira, estude e faça o novo Brasil. Que venha a copa e que eu esteja errada e o Brasil não passe mais vergonha! CHEGA!!!


por Brenda Oliveira

segunda-feira, 12 de maio de 2014

SOL



foto: da Ponte do São Francisco- São Luís/MA

Parei agora para pensar onde foram parar as histórias que eu costumava escrever. Onde foi parar o incansável desejo de ser eu e ser outra também. Quero entender por que mesmo antes de eu “bater o sino”, meu espírito se foi, meu corpo cansou e minha consciência não existe mais. É. Eu preciso primeiro aparecer novamente, para poder sumir do mundo.
Eu passei tantos dias sem escrever, mas mesmo assim, mesmo agora, penso que não estou escrevendo e sim jogando palavras no meu computador, na tentativa tola de recuperar o que o meu dia-a-dia matou. São tantas cobranças, tantas despedidas, tantos sorrisos mentirosos, tanta hipocrisia, que acho que conseguiram desmanchar metade mim, justamente a metade que faria eu me reencontrar num dia qualquer.
Vejo tanta coisa, tantas mortes, não falo apenas das mortes físicas, pois a sensibilidade hoje em dia, é coisa rara, é alienígena. “Boa tarde”, foi o que consegui dizer numa tarde qualquer, mas não era boa, não era farta, não tinha paz. Não para mim, pois para mim havia amor, doçura, comida, um teto, mas para uma senhora em sua humilde porta, não há nem a esperança, o pôr do sol não é mais tão divino, se torna apenas um sol que queima e incomoda.
Muito dinheiro, crescimento... “Um país rico é país sem pobreza”, que merda, sei que estamos longe, mas bem longe da riqueza, isso não significa que não a possuímos. A minoria tem tudo e a maioria não sabe, nunca sentiu o que é ter uma “boa tarde”. Mas ainda estando perdida dessa metade sumida, eu espero achar a minha metade vendo um verdadeiro Sol, numa realidade, quem sabe numa ‘Solrealista’, sendo sentido e multiplicado por tantos.
Acho que esgotei... esse deve ser o mais longe que consigo chegar não sendo toda. As palavras são apenas a minha tentativa de reanimação. Eu ainda pulso em algum lugar, sei que ainda está escuro por aqui, mas um dia eu vou acordar, pra nunca mais dormir, ou será que já acordei e estão tentando me calar?! ...

               Ass: uma metade que está de volta, um grito que tanto abafam... Sou todos...Todos somos... apenas um Maranhão, um Brasil e milhões de “Luíses”.

por Brenda Oliveira.
 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Um futuro: morte

Morro em cada dia. Morro em essência. Desfaleço sem medo de nunca mais voltar. Essa morte me caça, me pega fazendo-me dizer adeus aos poucos que ainda são meus, ou eu achei que fossem.
A morte é como o pôr do sol: leve, bonito, mas não volta. No outro dia será outro sol que irá se pôr, eu já estou posta numa ‘caixa’ escura, num cantinho sem honrarias, onde só os vermes me encontrarão.
Meu corpo será mutilado, pelo tempo e pelo espaço que não mais dominarei. Meu corpo será novamente pó, será poesia perdida, que jamais voltará a ser recitada ou escrita. Talvez esse corpo morto, seja o reflexo do que um dia eu não quis ser. Eu sempre fugi da morte. Sempre amei a vida, mas pequei, acreditei pouco...

Imagem: Александр Коблов

Esta sorte morre comigo. Esta sorte já deixou de ser...  quando permitiu que eu me deitasse, para nunca mais acordar. Nesta noite pedi insônia, por sentir o que estava por vir, mas o que pude receber foi um desmaio, um profundo sono, que me imobilizou e me fez ser perdida de mim, dos outros, do mundo.
Morrer seria apenas morrer, se não causasse tanta dor. Morrer me lembra: luz apagada, vela queimada e um rio a correr, sem margens aos lados, sem fundo, com tudo e nada mais. A morte é similar à física, que para mim é um tanto incompreensível. Uma conta que não saberei nunca resolver. Uma história que nunca aprendi.
O que ainda posso entender da morte, é a sua geografia, já que esta se refere ao meu corpo, que se desintegra a cada dia, noite, horas, que são torturas aos outros, pois a mim a dor já não pertence. Na verdade, já não pertencerei mais a mim. Serei da terra, serei alma, estarei gélida a chorar pela minha morte.
Um choro que também morrerá, pois em poucos dias ou apenas depois de anos, essas lágrimas secarão. As lembranças ficarão sem cor, sem vida, mortas como um dia estive, pois nem em memória existo mais. As fotos não existem. Papel já é coisa rara. Os risos da madrugada não terão o mesmo brilho de anos atrás.
Eu sei que essa dor você vai perder, mas que em alguns dias, ela virá sem ser bem vinda e roubará teus risos, te deixando em prantos, por uma vida que não conseguiu ter ao meu lado. É difícil relembrar um passado, mesmo este sendo tão bonito, tão frio, tão inacabado. A morte que me leva hoje será a mesma que se casará contido um dia. Ela me roubou primeiro. Foi bem ousada, eu diria.

por Brenda Oliveira.