Imagem: İzinsiz Gösteri6
Sinto uma ligeira dor no peito, um
breve arrepio nos pelos, com a doce sensação que irei voar. Eu andei por todo o
dia amando o que não existia, para ter a emoção de navegar num mar (não me
limitei às águas, é claro). Naveguei pelas brechas que o ar deixava. Naveguei
na imperfeição da calma. Eu naveguei.
Fui ao encontro das asas, que um dia
desses eu perdi. Eu corria e quase que instintivamente, subia, me colocando
entre as nuvens no azul de um dia. Querendo que a noite se revelasse e me
deixasse descansar em paz. Como se a dureza da vida fosse esquecida e eu,
simplesmente, bailasse na brisa que me confundia, em ser “eu” ou ser “mar”.
As asas foram rasgando minha alma,
até que atingissem e sangrassem a pele, beirando meu coração. Neste momento a
batida foi outra. A canção ficou rouca e a borboleta, por um momento, esqueceu-se
de voar. Mas ela ainda assim, bailava nas asas pintadas de sangue e marfim,
canções de sonhos que nunca quis que tivessem fim. Canções de verdade, que vão
além da arte de fazer brotar ventos e contentamentos.
No momento que a noite tentava me
seduzir, eu me deixei ir, para tentar dançar a última canção. Os homens demoram
9 meses para nascer, lembrando que toda regra pode ser quebrada, mas a da
borboleta não. Sua vida é uma precisão-imprecisa, aquela certeza-incerta de
alçar voou, de perder as asas e ser esquecida numa possa d’água, como quem
nunca soube voar. Sendo um ‘alguém’ que nunca voou.
por Brenda Oliveira.

Um poema!!! "Eu andei por todo o dia amando o que não existia." E como não gostar
ResponderExcluirObrigada nega. Hehe...
ResponderExcluirAté a próxima NOTA!!!
Que belo e verdadeiro, da até inveja deste ser.
ResponderExcluirObrigada...seja bem-vindo Layo..abraços...até a próxima NOTA!!!!
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