segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Canção das borboletas

Imagem: İzinsiz Gösteri6

Sinto uma ligeira dor no peito, um breve arrepio nos pelos, com a doce sensação que irei voar. Eu andei por todo o dia amando o que não existia, para ter a emoção de navegar num mar (não me limitei às águas, é claro). Naveguei pelas brechas que o ar deixava. Naveguei na imperfeição da calma. Eu naveguei.
Fui ao encontro das asas, que um dia desses eu perdi. Eu corria e quase que instintivamente, subia, me colocando entre as nuvens no azul de um dia. Querendo que a noite se revelasse e me deixasse descansar em paz. Como se a dureza da vida fosse esquecida e eu, simplesmente, bailasse na brisa que me confundia, em ser “eu” ou ser “mar”.
As asas foram rasgando minha alma, até que atingissem e sangrassem a pele, beirando meu coração. Neste momento a batida foi outra. A canção ficou rouca e a borboleta, por um momento, esqueceu-se de voar. Mas ela ainda assim, bailava nas asas pintadas de sangue e marfim, canções de sonhos que nunca quis que tivessem fim. Canções de verdade, que vão além da arte de fazer brotar ventos e contentamentos.
No momento que a noite tentava me seduzir, eu me deixei ir, para tentar dançar a última canção. Os homens demoram 9 meses para nascer, lembrando que toda regra pode ser quebrada, mas a da borboleta não. Sua vida é uma precisão-imprecisa, aquela certeza-incerta de alçar voou, de perder as asas e ser esquecida numa possa d’água, como quem nunca soube voar. Sendo um ‘alguém’ que nunca voou.


 por Brenda Oliveira.

4 comentários:

  1. Um poema!!! "Eu andei por todo o dia amando o que não existia." E como não gostar

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  2. Obrigada nega. Hehe...
    Até a próxima NOTA!!!

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  3. Que belo e verdadeiro, da até inveja deste ser.

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  4. Obrigada...seja bem-vindo Layo..abraços...até a próxima NOTA!!!!

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